domingo, 26 de fevereiro de 2017


LIVRO : “CURA E AUTOCURA - UMA VISÃO MÉDICO” - ESPÍRITA (Andrei Moreira)

CAP 1 - SAÚDE NA VISÃO DA CIÊNCIA
- A saúde, segundo a OMS, é vista como um estado de completo bem-estar físico, psíquico e social e não meramente a ausência de doença ou enfermidade

- A prática de saúde atual, apresenta-se fragmentada e facada na superespecialização e no tecnicismo, falhando em apresentar ou fornecer ao indivíduo recursos de autoconhecimento, instrução e autoamor que o capacite a sedimentar a busca pela saúde de forma eficaz e permanente

- A grande maioria dos doentes desejam anestesia e não consciência. É fundamental no processo de reconstrução da saúde ou na profilaxia das enfermidades do corpo e da Alma

- A grande maioria dos médicos e demais profissionais de saúde vêm de uma formação profissional centrada na doença e não na pessoa

CAP 03 - SAÚDE E DOENÇA NA VISÃO MÉDICO-ESPÍRITA

- Joseph Gleber, no livro “O Homem Sadio”, propõe um amplo conceito de saúde, que tem orientado os estudos da AME/MG, remetendo a reflexão à relação de Ser com o Pai, com a fonte de sabedoria : “Saúde é a real conexão criatura-criador a doença o contrário momentâneo de tal fato”
- Caso a criatura se desvie de seu curso, negando sua natureza Divina, as leis trazem-na de retorno ao equilíbrio por meio do amor ou da dor, quando o primeiro não consiga cumprir seu papel educativo

- Esclarece ainda Joseph Gleber, no mesmo livro “O Homem sadio” que : “A doença não é a perda da compreensão da verdade, é a rebeldia de não querer vivê-la ou de querer ignorá-la

- A doença só se expressa quando há reiteração no erro ou quando a gravidade dos efeitos gera ativação imediata dos mecanismos de reequilíbrio do Universo, em si ou em torno de si

- A doença pode ser entendida como uma mensagem da Alma do SELF do indivíduo, sua porção sábia e superior que rege a vida

- Bernardo Dania Guiné, portador do vírus HIV, autor do livro “Ops! Aprendendo a viver, com aids”, oferta um testemunho do seu aprendizado e amadurecimento espiritual : “Espiritualmente : Uma doença que eu convidei, algo que criei. Diante desta perspectiva, algo que eu precisava e que graças a Deus eu soube utilizar em meu benefício. Uma oportunidade que surgiu cedo para eu repensar valores, metas, rumos. Sendo algo que criei, algo que posso controlar hoje. Tem funcionado”
(...) “Resultado da falta de cuidado comigo mesmo. Um descuido que chega a caracterizar uma busca pela doença, um suicídio que não requeria coragem para disparar uma arma. Hoje, algo controlado menos por remédio, mais por estabilidade, tranquilidade, bons hábitos alimentares e pouco estresse” (...) “ Amor-próprio é o cerne do significado da doença para mim. Infectei-me para poder aprender a me amar, me dar a atenção que mereço e preciso. Passei a me admirar, mais do que simplesmente cuidar da aparência para ser atraente e conquistar atenção. Modo geral, tornei-me menos atraente (plástica) e mais atraente (como pessoa). Cuido menos da aparência, e talvez, até por isso, hoje me considere mais “bonito”. Me aceito. Resume bem : hoje me aceito”

3.1 - SAÚDE: HARMONIA DA ALMA

- Emmanuel afirma que “saúde é a perfeita harmonia da Alma, dando a orientação precisa para compreender que o foco de atenção é o Espírito imortal, viajante da eternidade, construtor de seu destino e mantenedor dos estados íntimos que constituem a saúde e a doença”

- Harmonia significa sintonia com o seu momento de vida, seu estágio de amadurecimento, suas necessidades psicológicas, sociais e biológicas, bem como integração com o meio e integração consciente e útil com a sociedade e o Universo. Ela não depende de ausência de doenças, podendo manifestar-se mesmo na presença destas

3.2 - ESTÁGIOS DE SAÚDE

- Joseph Gleber, no livro “O homem sadio” diz que “ a saúde é um conceito a se confundir com felicidade, existindo estágios ou etapas de saúde que condizem com o processo evolutivo de cada um”

- Sabe-se que a reencarnação é um processo seletivo no qual o espírito seleciona a natureza daquilo que deseja trabalhar em si, ativando recursos e condições que estejam em sintonia com seus objetivos reencarnatórios ou evolutivos presentes

- Vê-se que o Espírito imortal, consciente de seu estágio evolutivo, de suas necessidades espirituais, de seu nível de comprometimento com seu próximo e a Lei Divina, escolhe a condição física, socioeconômica, cultural, política, dentre outras mais condizentes com o estímulo ao progresso que deseje ou deva alcançar. Isto naqueles que se reencarnam de forma consciente, tendo já desenvolvido certo nível de maturidade espiritual

- Aqueles regidos pela ignorância ou inconsciência de sua história e de sua condição, reencarnando-se de forma automática, compulsória ou inconsciente, têm suas provas determinadas pelo automatismo da Lei ou pela intervenção dos espíritos sublimes que dirigem as criaturas em direção ao progresso, em ativa postura cocriadora em nome de Deus


CAP 4 - PERISPÍRITO : MODELO ORGANIZADOR BIOLÓGICO

- O corpo mental determina o funcionamento do corpo astral (períspirito), que por sua vez, direciona o funcionamento do corpo físico

- A saúde biológica está na dependência da saúde dos corpos que controlam a matéria. O corpo mental determina o funcionamento do corpo astral, que, por sua vez, direciona o funcionamento do corpo físico

- É importante compreendermos o papel das emoções, sentimentos e atitudes sobre eles, a fim de melhor ajuizar sobre a responsabilidade do homem na construção dos estados de saúde e doença

4.1 - DUPLO ETÉRICO

- É o corpo de vitalização da matéria, sede da energia vital, essencial à vida na matéria. Ele funciona à semelhança de uma cola que liga o corpo físico ao corpo astral, o corpo das emoções
- Ele funciona ainda como uma tela protetora que evita o contato do homem com o mundo astral de maneira tão frequente. No momento dos transes mediúnicos, há um ligeiro deslocamento desse corpo, natural ou provocado magneticamente pelos espíritos, de forma a permitir o transe ou o contato com as realidades extrafísicas de maneira mais ostensiva

- Algumas atitudes morais ou uso de substâncias podem afetá-lo gravemente, gerando consequências físicas de longo alcance, quando :

(1) Através de seus desregramentos e vícios, o homem passa a utilizar-se de substâncias corrosivas como o tabaco, a maconha e outras drogas

(2) Quando no seu comportamento abusivo na esfera da moralidade, ele bombardeia a constituição etérica do Duplo, queimando- lhe e envenenando- lhe as células etéricas, cria verdadeiras brechas por onde penetram as comunidades de larvas e vírus do subplano astral, comumente utilizados por inteligências sombrias para facilitar-lhes o domínio sobre o homem

(3) Ou mesmo o próprio assédio mais intenso das consciências vulgares que se utilizam, muitas vezes, do ser encarnado para saciarem sua fome e sede de viciações

(4) Quando não para acirrarem ainda mais a perseguição contumaz e infeliz sobre a própria vítima de seus desequilíbrios

4.2 - CORPO ASTRAL

- O homem é comparado a uma equipagem, sendo o carro representado pelo corpo físico, o cavalo pelo corpo astral e o cocheiro pelo espírito. O carro, pela sua natureza grosseiramente material e ainda pela sua inércia, corresponde bem ao nosso corpo físico. O cavalo, unido pelos tirantes ao carro (sistema nervoso), e pelas rédeas ao cocheiro (sentido astrais), move todo o sistema sem participar da direção. É a função do períspirito ou corpo astra

- Ele manifesta a realidade do espírito, da qual não poderá fugir, a despeito dos cargos, posses e máscaras que construa para si na vida

4.3 - CORPO MENTAL

- O corpo mental é a sede da mente extrafísica que comanda os corpos inferiores

- É a sede da memória multimilenar do espírito, onde estão registrados desde os acontecimentos mínimos da existência, os arquivos culturais e de conhecimento de cada época e povo no qual o espírito tenha estagiado, assim como a essência do aprendizado efetuado no processo evolutivo e que atesta o nível alcançado pelo ser espiritual na trajetória ascendente em direção ao Pai

- Ele está ligado ao corpo astral por um conjunto de filamentos eletromagnéticos chamado cordão de ouro, em semelhança ao cordão de prata que liga o corpo físico ao corpo astral


CAP 05 - AÇÃO DO PENSAMENTO NA SAÚDE E NA DOENÇA

- O pensamento, ondas de energia sutil, emana da mente do Espírito que está localizado em região supracerebral, no corpo mental, não se limitando a uma secreção neuroquímica do cérebro físico, como acreditam a fisiologia e a medicina terrena, embora necessite do aparato físico (órgão específico do sistema nervoso) para se manifestar na matéria

- Ele verte continuamente da mente para os corpos inferiores, e irradia-se para todo o encéfalo a partir da glândula pineal ou epífise

5.1 - AÇÃO DO PENSAMENTO NO CONTROLE CELULAR

- Emmanuel ensina : “o pensamento é o gerador dos infracorpúsculos ou das linhas de força do mundo subatômico, criador de correntes de bem ou mal, grandeza ou decadência, vida ou morte, segundo a vontade que o exterioriza e dirige”

- Segundo André Luiz : “ todos os estados especiais do mundo orgânico, inclusive o da renovação permanente das células, a prostração do sono, a paixão artística, o êxtase religioso e os transes mediúnicos são acalentados nos círculos celulares por fermentações sutis, aí nascidas através de impulsos determinantes da mente, por ela convertidos, nos órgãos, em substâncias magnetoeletroquímicas, arremessadas de um tecido a outro, guardando a faculdade de intervir bruscamente na propriedades das moléculas ou de catalisar as reações desse ou daquele tipo, destinadas a garantir a ordem e a segurança da vida, na ardidura das ações biológicas

- Na intimidade da célula encontramos o núcleo celular, onde se localiza o DNA, código genético que, sabe-se, rege a vida na intimidade orgânica. Do núcleo celular partem as ordens, os comandos para produção de todas as substâncias que são fabricadas no citoplasma célula
- O comando vem dos genes encontrados no DNA humano, mas a execução pertence ao citoplasma celular, que, está diretamente ligado ao corpo espiritual
- O DNA representa a herança de cada um de seu passado espiritual, aquilo que é necessário ser trabalhado nessa encarnação ou que foi consequência imediata das escolhas do passado. É selecionado pelo ser reencarnante que elege (ou têm eleitas pelos Espíritos Superiores que dirigem o processo reencarnatório as necessidades espirituais mais prementes, as tendências biológicas que afetarão a vida do indivíduo de tal ou tal maneira, conforme as predisposições que o organismo construiu para sua vida e, também, segundo sua posição mental
- Dessa forma, pode-se entender que o DNA representa o gerente da empresa, e o citoplasma, os funcionários dela, ambos trabalhando a serviço do dono e presidente da empresa, o Espírito imortal
- No DNA estão as predisposições que serão ativadas, inibidas ou reforçadas, conforme o padrão mental, emocional e comportamental do Espírito ao longo da reencarnação, no que configura o seu livre arbítrio
- O DNA, expressando o carma, ou a lei de ação e reação, modifica-se definitivamente somente de uma reencarnação para outra, porém sua expressão sofre a regulação e potencialização da vontade do indivíduo que redefine a vida à medida que a vive
- E aí temos uma das manifestações da misericórdia Divina, deixando ao ser que viva não em regime de fatalidade, mas de ação e reação, em todos os instantes da vida
- Questão 851 - LE: “A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o Livre-Arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir
- O pensamento, jorrando continuamente da mente, atua na intimidade celular, por meio dos circuitos e sistema circulatório energético do organismo humano (Chakras e nadis), conforme estudado no capítulo anterior), de forma a autorizar ou desautorizar continuamente os movimentos biológicos que a reencarnação apresenta. Exemplificando :
- Se uma pessoa reencarna com uma tendência à drenagem energética e de algum conteúdo psíquico desarmônico, na forma de um câncer, aos quarenta anos de idade, conclamando-a ao reequilíbrio perante a vida, a sua consciência e as Lei Divinas, terá a oportunidade de, durante todo o esse período, trabalhar em sua intimidade as circunstâncias que a levaram ao desequilíbrio, bem como suas tendências e características interiores, reequilibrando- se ou agravando a causa moral da patologia
- Dessa maneira, ao chegar à idade prevista, poderá ter confirmado sua predisposição, reforçando a necessidade pedagógica e re-harmonizadora de um tumor maligno, ou ter amenizado sua experiência, tendo aprendido e se renovado por outros caminhos, atuando beneficamente em seu mundo celular, conectando-se ao amor que tudo renova, tornando-se assim sua necessidade de reequilíbrio mais branda, ou mesmo inexperiente, dependendo da intensidade de suas conquistas

5.2 - PENSAMENTO E CRIAÇÕES MENTAIS
- Basta ao Espírito pensar fixamente e a criação mental forma-se no campo eletromagnético do ser
- Essa criação será fortalecida pelo pensamento constante e vivificada pelo sentimento que a ela esteja associado
- As emoções e sentimentos alimentarão a forma-pensamento, que ganhará vida temporária enquanto não se desgaste o combustível que a nutre
- Mesmo tendo sido extinguido o pensamento que a deu origem, ela se manterá gravitando em torno do Ser, vinculada ao seu mundo íntimo, até que seja destruída por ação magnética vinda do íntimo ou do exterior. Isso poderá se dar pela oração, pelo passe ou pela aplicação do magnetismo por algum Espírito amigo ou mesmo, dependendo da intensidade, por pensamentos de teor contrários que dissolvam a forma mental

5.3 - CORRENTES MENTAIS
- André Luiz afirma : “ As formas-pensamentos que são criadas pela vida mental e são vitalizadas pelo sentimento, associam-se no universo àquelas de mesmo teor energético, vibratório, formando correntes mentais de acordo com sua natureza íntima. Assim como as ondas de rádio, televisão e telefonia, existem inúmeras correntes mentais e emocionais viajando na atmosfera espiritual do planeta, tantas quantas são as emoções e pensamentos predominantes na humanidade terrestre, localizando-se em cada comunidade as que forem criadas e estiverem em sintonia com o interesse coletivo daqueles que habitam aquela área”
- Quando o ser pensa fixa e continuadamente em algo, cria, e criando vincula-se às correntes de mesma natureza, delas se retroalimentando, fortalecendo o teor vibratório íntimo, em sistema de feedback
- Todas as criaturas são estações receptoras e emissoras que se sintonizam com aquilo que elegem e cultivam em seu mundo interior
- Estamos naturalmente vinculados a lugares, pessoas, energia e realidades que reflitam nossa natureza. Recebemos influência e emitimos, continuamente
- Marlene Nobre, citando André Luiz, diz que : “Uma vez emitidos, os pensamentos voltam, inevitavelmente, ao próprio emissor, de forma a envolver a ser humano em suas próprias ondas de criações mentais, e, muitas vezes, podem estar acrescidos dos produtos de outros seres, que com eles se harmonizam

5.4 - PARASITAS ASTRAIS
- As correntes mentais de natureza inferior, distantes da vibração harmônica do amor, vivem alimentadas pelos sentimentos de ódio, vingança, maldade, inveja, dentre outros que são expressões da Alma em perturbação interior
- Todo ambiente tem a sua criação mental peculiar, de acordo com o somatório dos interesses daqueles que ali frequentam, convivem e trabalham
- Essa alimentação não só atua no mundo físico, mas entra em ressonância com os núcleos em potencialização do psiquismo de mesmo teor, onde estão registradas vivências, traumas, prazeres e desejos que se encontram adormecidos ou sob relativo controle, e os ativam, trazendo-os à vida consciente do indivíduo na forma de estímulos, impulsos, pensamentos ou sentimentos, determinando quadros de auto-obsessão mais ou menos intensos conforme a natureza da alimentação energética


CAP 7 - EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE
- Joseph Gleber, em “O homem sadio”, afirma que “O papel do homem nunca deve ser o de enfatizar a doença, mas o de conquistar os recursos da sanidade
- A educação para a saúde deve centrar-se no estímulo às conquistas das potências da Alma, tais como a fé, a intuição, a bondade, o perdão, a sabedoria, o conhecimento e o amor, entre outras
- Os trabalhos terapêuticos devem ser nesse sentido, portanto, aliviando sempre, mas esclarecendo e educando para que o alívio dos sintomas físicos, emocionais e mentais não se converta em paliativo inútil e apenas temporário, mantendo a doença origina
- Allan Kardec esclarece que : “A educação é a arte de fazer eclodir os germes da virtude e abafar os do vício; de desenvolver sua inteligência e de lhes dar instrução própria à suas necessidades; enfim, de formar o corpo e de lhe dar força e saúde. Numa palavra, a meta da educação consiste no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais

Cap 8 - O MÉDICO OU O TERAPÊUTA COMO CURADOR
- Não compete ao médico dar sentido compete à vida de seus pacientes, mas certamente compete ao médico acompanhar e estimular o paciente no encontro de seus sentidos e significados de vida
- Para isso, o médico deverá ser um estudioso da Alma humana. Não se justificam encaminhamentos para psicólogos e psiquiatras de tantas condições emocionais de simples e média complexidade que deveriam ser da competência de abordagem de qualquer profissional de saúde de nível superior, sobretudo do médico que trabalha com o corpo, o qual não funciona como um carro que ao estragar retira-se uma peça ou troca-se por outra e resolve o problema
- Ao terapeuta compete ler os sinais que se expressam no corpo e auxiliar o indivíduo a decodificá-los, segundo suas percepções, ampliando sempre o nível de consciência de si mesmo e de conexão com seu “Eu essencial”, sua parte sábia, o ser Divino que há em si, o médico interior capaz de cura
- Cada paciente leva seu próprio médico dentro de si. Este paciente nos procura sem saber dessa verdade. O melhor que fazemos é dar ao médico que reside dentro de cada paciente a chance de trabalhar
- Diz o Dr Edward Bach : “O médico do futuro terá dois objetivos principais : O primeiro será o de ajudar o paciente a alcançar um conhecimento de si mesmo e apontar-lhe os erros fundamentais que ele possa estar cometendo, as deficiências de seu caráter que ele teria que corrigir e os defeitos em sua natureza que têm de ser erradicados e substituídos por virtudes correspondentes”
“ ...Esse médico terá de ser um grande estudioso das leis que governam a humanidade e a própria natureza humana, de modo que possa reconhecer em todos os que a ele acorrem os elementos que estão causando conflito entre a alma e a personalidade”
- “Tem que ser capaz de aconselhar o paciente de como restabelecer melhor a harmonia requerida, que que ações contra a unidade deve deixar de praticar e que virtudes necessárias deve desenvolver para eliminar seus defeitos”
- É importante, pois, esclarecer o homem a respeito das Leis Divinas, como propõe o espiritismo, mas fundamental levar-lhe à experimentação o contato com o Divino, a partir da experiência amorosa
8.1 - O AMOR COMO INSTRUMENTO TERAPÊUTICO
- O médico espiritual André Luiz acrescenta, sintetizando : “O médico do porvir não circunscreverá sua ação profissional ao simples fornecimento de indicações técnicas, dirigindo-se, muito mais, nos trabalhos curativos, às providências espirituais, onde o amor cristão representa o maior papel (Livro : “Missionários da Lua”)

8.2 - A CURA DO TERAPEUTA
- À medida que se tratam os pacientes, os terapeutas são tratados de suas próprias enfermidades físicas e morais. O profissional é tão necessitado quanto o doente, e muitas vezes mais, pois além do adoecimento tem a arrogância e a prepotência favorecida pela formação médica atual
- Grande parte dos profissionais acreditam-se autossuficientes e capazes de tratarem-se a si mesmos sem auxílio, sem buscar ajuda
- À luz da reencarnação, todos que são terapeutas na atualidade o são por misericórdia de Jesus, que os ofertou a oportunidade de trabalhar pela sua melhoria moral, pela sua sensibilização para com as dores e a necessidade do outro e a consequente reparação das faltas perpetradas contra si mesmos e o próximo, no passado espiritual, para a pacificação de suas consciências
- Afirmava Paracelso : “A medicina não é somente uma ciência, mas também uma arte. Ela não consistem compor pílulas, emplastos e drogas de todas as espécies; trata, ao contrário, dos processos da vida, que devem ser compreendidos antes de serem orientados... o caráter do médico pode atuar mais poderosamente do que todas as drogas empregadas”
- Michael Ballint, famoso psicólogo, afirma que “O remédio mais frequentemente usado na clínica é o próprio médico”... “Não importa o frasco de remédio ou a caixa de pílulas, mas o modo como o médico os oferece ao paciente”

8.3 - TÉCNICAS TERAPÊUTICAS ÚTEIS NA PRÁTICA CLÍNICA
- Pesquisas modernas revelam que o médico interrompe a fala de seu paciente, em média, 18 a 23 segundos após ter sido iniciada

8.4 - A MEDICINA COM SACERDÓCIO
- Compete a cada profissional aquilatar o valor da oportunidade recebida de agir no alívio e no equacionamento das dores humanas, como instrumento da misericórdia divina, em sintonia com o alto, a serviço de Jesus
- Joseph Gleber, em Medicina da Alma, diz : “Aqueles que abraçam a medicina como verdadeiro sacerdócio, como auxiliar de Jesus, já despertaram em si sentimento elevado e padrão mental mais amplo que faculta-nos utilizá-los como instrumentos preciosos no amparo e socorro a muitos que choram, pelos vales da dor, nos círculos da habitação humana”
- Dra Marlene Nobre lembra que, segundo o Dr Bezerra de Menezes, “O diploma do médico espírita pertence a Jesus. Isso significa que o médico consciente de sua oportunidade e missão está, permanentemente, a serviço do Bem, em nome de Jesus, a quem serve em sua profissão”
- O contato direto com seres humanos coloca o profissional diante de sua própria vida, saúde ou doença, dos próprios conflitos e frustrações. Se ele não tomar contato com esses fenômenos, correrá o risco de desenvolver mecanismos rígidos de defesa, que podem prejudicá-lo tanto no âmbito da profissional quanto no pessoal

8.5 - ANAMNESE ESPIRITUAL
- Diante da realidade do espirito, ou mesmo apenas levando-se em consideração a dimensão espiritual do indivíduo, torna-se fundamental que o profissional de saúde saiba proceder também a uma boa anamnese espiritual, com finalidade terapêutica, ou seja, saiba investigar a vivência religiosa e seus significados, religiosidade ou as vivências de espiritualidade que esteja desconectadas da religião formal, no caso de pacientes ateus, agnósticos e outros correlatos
- Investigar a relação do homem com Deus, sua fé, suas crenças e as atitudes dela decorrentes é fundamental na prática médico-espírita
- Eis alguns dados recentes da literatura medico-espírita que dão suporte à abordagem da espiritualidade na prática médica convencional:
(1) Muitos pacientes são religiosos
(2) Crenças religiosas influenciam decisões médicas
(3) Atividades religiosas estão relacionadas à melhor saúde e qualidade de vida, segundo as pesquisas
(4) Muitos pacientes gostariam que os médicos comentassem suas necessidades religiosas
(5) Médicos religiosos conquistam maior confiança de seus pacientes

CAP 9 - A CARIDADE COMO FORÇA CURATIVA DA ALMA
- Embora a evolução seja obra do esforço individual e da passagem pela porta estreita, ninguém evolui sozinho e o compromisso social, como se vê na cura dos dez leprosos, é o caminho de paz para a Alma e para o cumprimento dos deveres espirituais que compete a cada um
- O Bem realizado em prol do semelhante é o maior e melhor advogado da criatura em todas as circunstâncias da vida
- Quando o ser se esforça para se reconectar ao amor, essência da vida, todo o universo conspira em seu favor, estimulando-o e auxiliando-o no que que se fizer necessário, visto que esse é o movimento fundamental da cura
- Emmanuel diz que : “Toda vez que a justiça nos procura para acerto de contas, se nos encontra trabalhando em benefício do próximo, manda a misericórdia Divina que a cobrança seja suspensa por tempo indeterminado”
- A cobrança suspensa, como afirma o benfeitor, não representa anulação de compromissos perante a lei, mas oportunidade de exoneração e reparação do mal pelo Bem, sem a necessidade expressa do sofrimento ou da dor para o reequilíbrio perante a consciência e a vida
- Os Espíritos Superiores, ao perceberem o esforço do doente em buscar a cura, servindo à vida, esforçam-se de todas as maneiras para secundar- lhe os esforços, oferecendo-lhe o que lhe falta, aumentando-lhe a resistência íntima e a força moral, disponibilizando recursos fluidoterápicos de socorro e alívio, permanentemente
- Afirma o médico espiritual Carneiro de Campos : “Em casos especiais, quando o homem não dispõe de créditos que lhe facultem o restabelecimento da saúde - tendo em vista a Divina Misericórdia de acréscimo, que examina a sua possível reabilitação espiritual, laborando pelo Bem de todos, e cujo esforço se recupera dos males antes praticados - uma ação magnética, psíquica ou fluídica de alta potência pode modificar o quadro de enfermidade, revitalizando os implementos celulares, que volvem à harmonia vibratória, produzindo o equilíbrio do corpo ou da mente. Tal ocorrência, no entanto, onera, mais ainda, o beneficiário, que passa a viver sob condição de moratória de grande e grave significação
- Renúncia, sacrifício e dedicação ao bem coletivo, em detrimento dos interesses personalistas, são o caminho orientado por Jesus para a cura das enfermidades da Alma
- Na questão 912 do LE, os Espíritos Superiores, responderam a Allan Kardec que o meio mais eficiente de combater-se o predomínio da natureza corpórea é a prática da abnegação de si mesmo
Abnegação representa :
(1) O esquecimento dos interesses pessoais em favor dos interesses coletivos
(2) Renúncia da própria vontade,
(3) Desapego do desejo
(4) Generosidade com sacrifício
(5) Altruismo

- Diz o Dr Inácio Ferreira : “Em esmagadora maioria, os conflitos existenciais da criatura são decorrentes da egolatria. Alguém que não retribui afeto, que não quis renunciar, que nunca soube o que é sacrifício pela felicidade alheia, de repente, a insegurança, o medo, a insônia, a opressão, o pesadelo, o desânimo, a falta de motivação para viver. E aqui vai uma dica aos colegas : na falta de um diagnóstico mais preciso, tratem do egoísmo do doente , ponham-nos para trabalhar em uma atividade voluntária numa obra assistencial
- Sendo o servir a síntese da cura espiritual, vencer o egoísmo tornou-se o maior desafio terapêutico que se impõe a profissionais e pacientes em busca de alta nas enfermarias da vida
- André Luiz sintetiza o assunto, dizendo : “O Bem constante gera o bem constante e, mantida a nossa movimentação infatigável no Bem, todo o Mal por nós amontoado se atenua, gradativamente, desaparecendo ao impacto das vibrações de auxílio, nascidas, a nosso favor, em todos aqueles aos quais dirijamos a mensagem de entendimento e amor puro, sem necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que, eventualmente, se nos incorporem, ainda, ao fundo mental

CAP 10 - PERDÃO : CAMINHO PARA A CURA INTEGRAL
10.1 - MÁGOA
- No cérebro, substâncias específicas, ligadas às emoções, são derramadas na corrente sanguínea e agem em todo o organismo, gerando reações compatíveis com as emoções originais, que afetam a fisiologia orgânica, podendo equilibrá-la ou desequilibrá-la, conforme sua natureza e intensidade
- A mágoa pode ser compreendida como o grave processo obsessivo (ou auto-obsessivo) que pode se iniciar em circunstâncias de mágoas simples, mas não somente; também pode ser entendida como a desarmonia orgânica que se instala em razão do retorno daquilo que houvermos semeado no coração de quem quer que seja, na ausência do amor
- A mágoa é ácido que corrói por dentro, adoecendo-nos física e psiquicamente, tanto quanto a agressão ao semelhante é semeadura de dificuldades íntimas, morais e orgânicas, se o perdão não se fizer presente na vida do indivíduo ou nas relações
- O desejo de vingança, a raiva não trabalhada, o desejo de justiça a qualquer preço são atos destinados ao semelhante, mas afetam primária e prioritariamente aquele que os vive e mantém no coração
- A mágoa é veneno que consome o organismo aos poucos, debilitando-o a matando a alegria de viver, com o passar do tempo, à medida que se agrava e cronifica, sem a atenção e o entendimento que requisita
- Muitas pessoas permanecem longos anos magoadas, cultivando as dores que não conseguem ou não desejam elaborar, permitindo que essas mágoas, à semelhança da erva daninha que cresce nos quintais da casas, sufoque a germinação do que há de sadio em nós

10.2 - DECISÃO, ATITUDE, PROCESSO
- O perdão tem três coisa importantes :
(1) Decisão
- Trata-se de decidir-se pela paz. A mágoa é peso que carregamos no ombro e que nos limita a vida
- É necessária uma decisão por não sofrer mais, por não aumentar o tamanho ou a consequência de um ato infeliz ou circunstância indesejada, entre outras coisas
(2) Atitude
- A decisão precisa concretizar-se em atos para ser validada
- O perdão não cai do céu, necessita de trabalho e esforço para ser conquistado

(3) Processo
- Indicamos abaixo métodos úteis de metabolização das emoções e das mágoas
- O magoado permanece com as questões emocionais entaladas na alma aguardando resolução
- Perdão não é, necessariamente, esquecimento. A busca pelo esquecimento das ofensas, sem um trabalho que cure as mágoas, pode até mesmo representar fuga das dificuldades, o que denota insegurança, medo, falta de vontade ou incapacidade de lidar com as feridas as Alma
- Quando abrimos mão do que achamos, para ver as coisas como elas são ou podem ser, sem que isso represente desvalorização da nossa verdade, o perdão é possível
- Quem fica focado em sua dor, cultivando-a, lamentando-a, contando para toda a vizinhança a sua desdita e alimentando a desgraça, não consegue perdoar. Isso porque a visão, quando muito perto do objeto, fica desfocada e não observa detalhes, contexto, nem tem percepção do conjunto
- Uma boa parte das pessoas mantém-se nesse lugar porque necessita dele ou tem um ganho importante. Muitas dizem que perdoaram ou desejavam perdoar, mas apenas da boca para fora, pois querem permanecer na cômoda posição de vítimas, acreditando-se desventuradas pelo destino, induzindo a piedade do outro e a comiseração, como o fazia o cego de Bartimeu
- Aquele que assim age, não consegue perdoar, pois o olhar fica viciado em uma análise focada na Sombra do outro, em razão de uma identificação com a sua própria Sombra, que é projetada no outro para não voltar-se para si mesmo, como o fizeram aqueles que tentaram julgar a mulher considerada adúltera
- A Sombra, segundo Jung, é a parte da vida psíquica que engloba tudo aquilo que não é aprovado, desejado, desenvolvido ou aceito pelo indivíduo
- Ela atua continuamente, competindo a cada um conhecer os aspectos não amados em si e acolhê-los com amor, com aceitação ativa, que significa a atitude pacífica de tentar modificar tudo aquilo que se reconhece ou se pensa inadequado para si, sem briga consigo mesmo, sem autoagressão, sem violência. Enfim, com autoaceitação

10.3 - DESILUSÃO
- O Ser Humano engana-se muito facilmente. É repleta de recalques, repressões de toda ordem e sobretudo fantasias
- Todos têm visões idealizadas da vida que são aprendidas com a família, cultura e sociedade, fazendo com que se tenha expectativas de comportamentos e acontecimentos que, se não ocorrem como se deseja, não servem, não prestam, não são úteis... e assim a mágoa instala-se no peito
- Todos têm preconceitos que selecionam e analisam as circunstâncias o tempo todo, adequando-as à realidade imaginada ou desejada pelo indivíduo
- À proporção que o Ser cresce em autoconhecimento e compreensão das leis do Universo, passa a relativizar conceitos e entendimentos, permitindo que a paz se instale em sua alma com mais facilidade
- Ninguém necessita se fazer de canal de justiça, fazendo-a com suas próprias mãos, porque a sabedoria e a misericórdia do criador, manifestas em suas leis perfeitas, tudo registra : “Não há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido

10.4 - EMOÇÕES E PERDÃO
- Para o estabelecimento do perdão e cura das feridas emocionais pro fundas é necessário aprender a reconhecer e trazer à consciência nossos padrões emocionais
- As emoções são movimentos energéticos e fisiológicos decorrentes de um estímulo qualquer, que pode ser um pensamento, um sentimento, uma ocorrência, dentre outro
- A palavra emoção, em sua construção “e-moção”, significa, movimento para fora, resposta
- O ser humano está submetido a uma série de emoções básicas, naturais, que todos vivenciarão sempre, quais sejam : a alegria, a raiva, a tristeza e o medo. São emoções naturais que surgem nos diversos episódios da caminhada. As respostas comportamentais a elas é que definem a vivência saudável ou adoecida

10.5 - APRENDENDO A LIDAR COM A RAIVA
- Algumas motivações pelas quais mantemos o padrão da raiva exacerbada em nossas respostas emocionais :
(1) SENSAÇÃO DE PODER E CONTROLE OU CONTROLE DOS OUTROS
- Pode-se manter o padrão de irritabilidade para ser respeitado e validado, o que talvez seja alcançado, visto que o silêncio do outro ou a aceitação para evitar confronto não representa necessariamente respeito
- Aqueles que gostam e envaidecem-se de dizer: “Aqui eu mando e sou obedecido”, poderiam acrescentar : “E sou detestado”
(2) PONTO DE PARTIDA E COMBUSTÍVEL PARA FAZER AS COISAS
- Muitas vezes, as pessoas não encontram motivação na vida para suas realizações, só conseguindo algo produzir quando motivadas pela raiva, pois falta-lhes o autoamor como motivação essencial
(3) DEFESA, EVITAÇÃO DE SENTIMENTOS MAIS PROFUNDOS
- Toda raiva está a serviço de algo, sinaliza um espaço que foi invadido, um interesse que foi negado, uma necessidade desconsiderada
(4) EVITAR A COMUNICAÇÃO
- As pessoas que têm dificuldade de lidar com suas emoções ou sentimentos mais profundos, costumam também manter a raiva, ou a indiferença, como forma de evitar o confronto, o diálogo emocional
- Essas máscaras, muitas vezes, colam-se ao rosto de uma maneira tão íntima que não mais são retiradas, nem para si mesmo, perdendo o foco da realidade nos papéis que se assumem na vida
- Muitos não são capazes de dizer o que seu coração deseja e vivem assolados pelo medo, visto que a coragem, significa agir com o coração, seguir os impulsos mais profundos e verdadeiros, que venham da essência, do SELF, da parte sábia e Divina que há sem si e que fornece o roteiro seguro para o cumprimento dos deveres evolutivos selecionados para esse momento reencarnatório
(5) SENTIR-SE SEGURO, PROTEÇÃO
- A segurança íntima deve ser fruto de uma conexão com o coração, com o “Eu Superior”
- Há que se buscar a serenidade íntima em uma experiência profunda de amor-próprio e intimidade consigo mesmo, a fim de conseguir afirmar a sua individualidade, sua unicidade, sem ter que utilizar o mesmo recurso da massa perturbada que não age, apenas reage na vida, seguindo os impulsos do instinto muito mais que da razão e do sentimento

(6) MANEIRA DE MOSTRAR QUE ESTÁ CERTO
- Muitas vezes, a raiva manifesta em agressividade está a serviço da afirmação da opinião, do ponto de vista, em brigas de EGOs
- Adeptos desse ou daquele pensamento se inflamam, coléricos, desejando enfiar goela abaixo do outro sua crença, partido político ou ideologia, gerando desentendimentos, violências e...mágoas
- O fanático de qualquer natureza tenta convencer o outro a fim de angariar adeptos para sua crença e, assim, fortalecer a sua própria fé, que em essência é frágil e fugaz, não se alicerçando em terra firme
- A verdadeira fé vem da convicção íntima nascida da experiência e da intimidade com o que se crê, da constatação do valor pelos resultados e pela lógica dos argumentos, antes que pela força
(7) FAZER COM QUE OS OUTROS SE SINTAM CULPADOS
- A raiva pode ser utilizada como forma de manipulação para gerar a culpa e, assim, direcionar os indivíduos para onde se deseja
- A culpa gera vinculações doentias que criam dependências e, muitas vezes, iniciam processos obsessivos de longa duração
- Toda criatura culpada e manipulada, quando percebe seu real valor e a condição de dependência, acaba ressentida daquele que a utilizou para seus propósitos pessoais, gerando mágoas e perturbações de demorada resolução

(8) MANTER UM RELACIONAMENTO
- Às vezes a raiva e a agressividade são as formas de comunicação em uma relação
- Os parceiros ou amigos, embora se gostem, não conseguem expressar seu afeto senão de uma forma desvirtuada, muitas vezes se utilizando exatamente do conteúdo emocional contrário
- Há pessoas que ainda não conseguem ser afetivas de fato, utilizando- se de expedientes estranhos como esse, mas há também aqueles que mantêm dependentes em relação de simbiose espiritual complexa, no processo de obsessão entre encarnados, sem conseguirem se afastar um do outro ou modificarem o padrão de comportamento

(9) MANTER O PAPEL DE VÍTIMA
- A raiva, como forma de evitação de sentimentos mais profundos, leva ao estabelecimento ou manutenção do papel de vítimas
- A vítima não se responsabiliza por si, não se acredita capaz, e mantém-se dependente da ação do outro para sua paz ou felicidade
- O vitimista credita ao outro a culpa por sua infelicidade e espera que ele dê o passo, tome a iniciativa; expressa desse moda a atitude orgulhosa que distancia e afasta aqueles que mais ama, pela incapacidade de assumir sua corresponsabilidade nos atos geradores das mágoas e dos desentendimentos

10.6 - SUBPERSONALIDADES
- Todas as pessoas são múltiplas personagens no palco de suas vidas íntimas, mental e emocional. Todas têm o que se pode chamar de subpersonalidades, que seriam instâncias do psiquismo que têm uma máscara apropriada para cada condição ou característica de vida : pai, irmão, tio avô, colegas. Dentro muitos outros
- O Ser Humano faz em seus relacionamentos, de forma geral, uma projeção de si mesmo, de suas necessidades psicoemocionais, e busca a complementaridade natural
- Na interação das subpersonalidades, busca-se aquele que se encaixe nos clichês, idealizações, e embora seja a diferença o que atrai a princípio, à medida que a relação evolui e passa-se a conhecer aquele com o qual se relaciona, em todas as esferas, o ser acaba por entrar em conflito por desejar deformar o outro, confortando-o aos seus interesses, sem respeito às diferenças que fazem únicos e especiais os seres humanos
10.7 - TRAUMA E PERDÃO
- Há situações, como nas experiências traumáticas, em que o indivíduo é submetido a circunstâncias agressivas que independem de sua vontade consciente, como é o caso de vítimas, violência sexual e infantil, dentre outras, que marcam o ser profundamente
- Talvez seja difícil compreender que há uma justiça nesses fatos, mas a compreensão da reencarnação auxilia a perceber os movimentos de reequilíbrio que se fazem presentes
- Certamente que esse aprendizado poderia se fazer sem necessariamente a experiência traumática. No entanto, há construções espirituais e circunstanciais atraídas que n os lembram a fala de Jesus : “É necessário que sucedam escândalos; mas ai daquele homem por quem venha o escândalo”

10.8 - AUTOPERDÃO
- Autoperdão é busca de recomeço, atitude de humildade e submissão aos desígnios Divinos e suas leis, sem abandonar o rigor dos esforços de autossuperação e autodomínio, que são instrumentos necessários para o estabelecimento da saúde espiritual
- O autoperdão representa o acolhimento de si mesmo na autoaceitação pacífica daquilo que se é, enquanto se esforça para ser aquilo que deve ser
- perante as atitudes que tenham sido equivocadas para com o próximo, o autoperdão é o movimento da Alma que se permite reparar, sem sofrimento obrigatório, o mal que haja semeado, pelo bem intensivo e constante àquele que foi prejudicado
- Ermamance Dufaux esclarece que o que nos caracteriza como espíritas ou cristãos na atualidade, não é o fato de sermos bons, de termos virtudes conquistadas, mas o fato de já estarmos cansados, saturados do mal

10.9 - COMO PERDOAR
- O Dr Fred Luskin, no seu livro “O poder do perdão”, propõe “Os noves passo para o perdão” :
Primeiro : “Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança”
- A partir do reconhecimento pela investigação, você poderá decidir como deseja se posicionar diante do que sente, qual o caminho a percorrer, onde deseja chegar dentre outras importantes definições
Segundo : “Comprometa-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor”
- Ser amoroso consigo mesmo é condição necessária para o alcance do perdão
- Comprometer-se consigo mesmo é ser dedicado à sua própria felicidade, esforçando-se por cumprir as etapas necessárias para alijar de si a crua desnecessária da angústia, da tristeza e da mágoa, o que pode demandar tempo longo
Terceiro : “Entenda seu objetivo”
- Saiba aonde quer chegar e determine prazos para nortear sua caminhada, que não precisam ser rígidos, e sim flexíveis, adaptáveis ao longo do processo, mas que representem o que se deseja alcançar em curto, médio e longo prazo
Quarto : “Tenha um perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico de que você sofra agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu dois minutos ou dez anos atrás”
- Na vida é necessária uma atenção e um treino contínuo de autopercepção para evitar maus entendidos com os outros, mas sobretudo consigo mesmo
- Pode ser que a raiva dirigida a um namorado que termina a relação ou a um marido que trai seja intensificada pela raiva reprimida por conta de um pai ausente que nunca assumiu a sua função paterna ou que abandonou a família para viver o que julgava melhor para si
Quinto : “No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismos de seu corpo”
- Existem técnicas importantes de alívio da ansiedade e do estresse, como por exemplo a visualização criativa, a meditação, a respiração holotrópica, dentre outras
- Como técnicas de reposição energética, fora do movimento espírita, temos o reiki, o johrei da Igreja messiânica, a cromoterapia e a massagem terapêutica
- Na terapêutica médico-espírita encontra-se o passe magnético, humano-espiritual, a água magnetizada, o tratamento espiritual e sobretudo a oração
Sexto : “Desista de esperar, de outras pessoas ou de sua vida, coisas que elas não escolheram dar a você”
- Aprender a ter expectativas reais é um passo fundamental na busca do perdão
- A expectativa deve ser baseada em possibilidades reais, para que não gere frustrações, cobranças e mágoas
Sétimo : “Coloque suas energias em tentar alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através da experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para seus fins”
- O ressentimento é atitude improdutiva que age a serviço da autopunição. Essa, por sua vez, está movida pelo sentimento de culpa e de menos valia ou pelo sentimento de que não se é merecedor da felicidade
Oitava : “lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor resposta. Em vez de se concentrar nas sua mágoas, o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou, aprenda a buscar o amor, a beleza e a bondade ao seu redor
- O grande trabalho da vida é deixar de disputar com o outro, abandonar o desejo de superação do próximo, para vencer a si mesmo, na conquista de autodomínio
- O orgulho impõe competição, a humildade pede aceitação
- Deixar a vida seguir seu rumo e seu ritmo na guiança divina, é decisão sábia daquele que se assenhoreia do seu destino, utilizando com reponsabilidade a liberdade dada pelo Criador
Nona : “Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heroica que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar
- Jesus convida-nos a perdoar infinitas vezes, tantas quantos forem necessárias para pacificar as relações, os compromissos do passado e do presente

10.10 - PERDÃO - PROFILAXIA DA OBSESSÃO
- Reconcilia-te sem demora com teu adversário enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá enquanto não pagares i último ceitil (Mateus - 5:25-26)
- A vida registra os mínimos atos de cada vida. Há, no éter universal, o registro completo das mínimas atitudes de cada um, de toda a história. No entanto, é a consciência o grande tribunal onde se operam as análises profundas de nossa trajetória
- Obsessões de longo curso são iniciadas com pequeninas ofensas e descuidos que vão se avolumando e agigantando à medida que o tempo passa, sem a presença do perdão, do entendimento, da concórdia
- Quando a consciência nos acuse de algo termos feito contrariamente à Lei do Amor, para com nosso semelhante, devemos buscar o entendimento e o perdão mútuo, como preventivo de doenças da Alma mais sérias
- Jesus orienta-nos a procurar aqueles que ofendemos, ou que nos ofenderam, e abrir-lhes as portas do coração, sem medo. Se o outro não desejar ou não aceitar nossa pedido de perdão, ou o nosso perdão, a responsabilidade será dele, pois cada um responderá apenas por si e por sua intenções e realizações na vida
CAP 11 - FÉ: SINTONIA COM A VONTADE DIVINA
- Importante a atitude do Cristo perante aqueles que foram curados por sua intervenção. Em todos, o Mestre reforçava que a fé havia sido o elemento fundamental de cura interior
- A fé Divina testemunha a esperança e a confiança na sabedoria de Deus
- A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer... A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa... A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu...Fé inabalável só é que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade (ESSE - Evangelho Segundo o Espiritismo)
- A alma amadurecida nas experiências da vida sente Deus, ainda que não consiga traduzir em palavras sua crença e confiança
- A fé é a medicação que nos permite a sintonia com a vontade divina, abrindo campo para que ela se expresse e manifeste-se em nós, direcionando-nos, utilizando-nos, no reconhecimento de que a vontade do Pai é soberana, queiramos nós ou não
- É imperioso desenvolver a certeza do amor divino e a convicção de que esse amor, sempre perfeito, nos guiará, invariavelmente, para o melhor, no uso responsável da liberdade que ele nos concedeu
- Abandonar a neurose da autossuficiência ou os conceitos equivocados que nos ofertaram do Criador, compreendendo as leis por Ele criadas e nosso papel nelas, é caminho de libertação do sofrimento e de encontro da alegria e do prazer de viver


CAP 12 - AUTOAMOR E HOLOAMOR SÍNTESE DA CURA
- O autoamor representa a conexão profunda com a valorização da vida e da maravilha de Deus que somos cada um de nós. Ele se traduz em autoaceitação, autoperdão, acolhimento da “Sombra” e desenvolvimento das virtudes, dentre outros comportamentos

12.1 - AUTOCONHECIMENTO
- “Amar-se é ir de encontro a si mesmo” (Carl Gustav Jung)
- O autoconhecimento é propiciador da base para o autoamor
- Amar-se não significa ser conivente com os erros, passivo diante das dificuldades íntimas ou negligentes perante seus deveres. Significa ser indulgente consigo mesmo, paciente diante dos desafios e perseverante perante a luta por autodomínio e autossuperação
- Aquele que se ama se acolhe com generosidade, permitindo-se ser o que é, valorizando seus aspectos luminosos, sua beleza interior, enquanto luta para ser aquilo que deve ser ou que deseja ser

12.2 - EGOISMO, VAIDADE E ORGULHO
- Egoismo é a centralização no EU, na PERSONA, na MÁSCARA, enquanto o autoamor é o centramento no EU SUPERIOR, na parte sábia, Divina há em nós
O egoísmo é a busca por satisfação pessoal a despeito do outro, enquanto o autoamor é a preservação de limites, prevenção de abusos, estabelecimento de espaços vitais seguros, capazes de possibilitar ao ser que traga à tona o o seu melhor, em sua vida, em sociedade, para o seu bem-estar e o cumprimento de suas deveres perante o próximo e sua necessidades íntimas
- O egoísta não se importa com o sofrimento do outro que está ao lado, só enxerga suas próprias necessidades, ao passo que o autoamor serve à vida, sabendo perceber a necessidade alheia e sabendo inclusive renunciar em favor dela
- A vaidade que se opõe ao autoamor é aquela condição íntima de dependência da imagem, do retorno do outro, do aplauso e da bajulação. Ela tem o referencial no que o outro pensa ou ache de si, necessitando que o outro o incense, constantemente, para suprir a falta do amor e do valor que não se dá ou que não encontra aprovação em sua própria consciência
- O autoamor é filho da humildade, da consciência de si, não se confunde com o orgulho, que é a exacerbação do EGO, enquanto o orgulho é uma ilusão de poder e valor pessoal, uma fantasia de supremacia ou importância que leva o indivíduo a se acreditar melhor e mais capaz que o outro, subestimando-o
- O autoamor promove a postura humilde de reconhecimento do ponto em que o ser se encontra no processo evolutivo e dos esforços que competem a ele empreender para alcançar aquilo que deve ou deseja
- O autoamor não se coaduna com arrogância ou prepotência, pois não se crê na condição de impor sua verdade ao outro, nem violentar consciências, pois aquele que se ama conhece o limite do que sabe, pode e deve na vida, permitindo-se ser o seu melhor, sem acreditar que aquilo que alcançou é o melhor que há na vida ou no mundo


12.3 - O DESENVOLVIMENTO DA AUTOESTIMA NA PRÁTICA DE JESUS
- Dentre todas as atitudes pedagógicas do Cristo, a que mais se destaca e exerce um papel de fundamental importância na transformação interior é o resgate ou reconstrução da autoestima baseada no amor
- Observa-se na conduta terapêutica de Jesus um contínuo foco de beleza e na capacidade interior do ser humano Ele afirmou : “Vós sois Deuses” e “Vós podeis fazer o que eu faço e muito mais”
- O trabalho do cristo convida o ser humano a focar sua atenção naquilo que é perene, imperecível, eterno : os valores da Alma, ou do espírito, onde quer que ele se encontre, no corpo físico ou fora dele
- Jesus eliminava a culpa e os estados de autodepressão dos seres convidando-os a perceber as potencialidades inatas que traziam em sua bagagem interior

CAP 13 - TERAPÊUTICA MÉDICO-ESPÍRITA
- Os que diferem da prática médica convencional e são complementares a ela(e não necessariamente alternativos) são : a oração, a fluidoterapia, a atividade desobsessiva, e o mais importante, a evangelhoterapia, ou renovação moral
- Diz o Espírito Joseph Gleber, no livro “Medicina da Alma” : “Quando falamos aos meus irmãos a respeito de tratamento espiritual ou de cura, entendemos com isto a recuperação moral do indivíduo, seu reequilíbrio espiritual. O grande objetivo dos Espíritos Superiores é a elevação moral do ser humano”
- O grande objetivo do tratamento espiritual é fornecer alívio para o corpo enquanto a alma se educa, para curar-se definitivamente
CAP 15 - CONCLUSÃO
- A cura na visão espírita é resultado de um movimento pessoal, de um encontro do ser com ele mesmo e com o Deus que habita nele
- Ela é resultado da harmonia que é consequência ao esforço de autossuperação e desenvolvimento das potencialidades amorosas da alma, virtudes divinas existentes em germe na intimidade humana
- Jesus, o “melhor e maior modelo dado por Deus aos homens”, ensinou com sua prática que sadio é aquele que ama
- Assim se expressa Emmanuel a respeito da cura : “A medicina do futuro terá de ser eminentemente espiritual, posição difícil de ser atualmente alcançada, em razão da febre maldita do ouro; mas os apóstolos dessas realidades grandiosas não tardarão a surgir nos horizontes acadêmicos do mundo, testemunhando o novo ciclo evolutivo da Humanidade”
- Joanna de Ângelis nos sinaliza a respeito da cura : “A cura real somente ocorrerá do interior para o exterior, do cerne para a sua forma transitória. Nesse sentido, a cura tem início quando o paciente se ama e passa a amar seu próximo. Assim, a cura é um processo profundo de integração da pessoa nos programas superiores da vida. Toda cura procede de Deus. Deus é amor, eis que o amor é essencial no mecanismo da saúde. As curas verdadeiras resultam da decisão superior de encontrar-se e localizar-se, cada qual, no contexto do equilíbrio que vige no Universo”



































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