segunda-feira, 17 de outubro de 2011

historia do Cristianismo

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO


FONTES DE CONSULTA :

- Criatianismo : A mensagem esquecida (Hermínio Correa de Miranda)

- Cristianismo de Jesus : De Jesus a Kardec (Professor Rino Curti)

- O Cristianismo Primitivo (Ismael Armond)




1 - A PALESTINA E O POVO JUDEU

1.1 - sua organização e estrutura social

- A Palestina, hoje estado de Israel, era uma das regiões que haviam sido conquistadas pelo Império
Romano, tendo sido a ele agregada, inicialmente como protetorado, no ano 64 a. C

- O povo Judeu, apesar de historicamente ter sido subjugado e escravizado durante séculos, na Babilônia
e no Egito, apesar de ter sido expulso de seu território e ser disseminado por todo o mundo, no que se denominou de “Diáspora”, apesar de ter sido expulso de países onde vivia, como a Espanha durante a
Inquisição, ou de ter sido quase totalmente dizimado na Alemanha, na Polônia e em outros países da Europa durante os episódios do “holocausto”, manteve ele praticamente inalterada sua religião, sua língua, seus costumes e tradições

1.2 - A origem das Escrituras

- O sentido figurado com que foram escritas muitas das passagens do Antigo Testamento e outras, visando controlar o povo, seus hábitos e costumes, pelo temor e pela religião, incorporam dados válidos para o estágio de civilização da época

- Para nós, não podem ser consideradas como a expressão da palavra de deus por fornecerem, muitas
vezes, dados que contrariam os conhecimentos científicos, as Leis da razão, da lógica e da natureza

-Descrevem, frequentemente, a figura de um Deus bastante diferente daquele que nos foi apresentado
pelo Cristo, no Novo Testamento e nas obras da codificação de Kardec

2 - OS EVANGELHOS

- Os conhecimentos contidos no Evangelho ou o relato da vida e dos ensinamentos de Jesus foram sendo
passados oralmente, como era o costume na época, a chamada “tradição oral”

2.1 - As primeiras Redações

- Supostamente por volta dos anos 75, os Judeus Cristãos residentes e Betânia, os parentes de Jesus e os
discípulos fugitivos da destruição de Jerusalém, resolveram escrever aquele que seria o Evangelho em
seu texto protótipo

- Teria sido redigido em aramaico, dialeto usado por Jesus e seus discípulos. Este Evangelho não foi
utilizado mais tarde na composição da Vulgata Latina, documento que englobou os Evangelhos aceitos
pelos então chamados cristãos ortodoxos que vieram a compor a Igreja Romana

- Consta que esse Evangelho denominado Hebreu e Nazareno foi conservado no original até o Sec V.
essas escrituras, que continham várias diferenças em relação às que vieram a compor o Novo Testamento
não apresentavam entre outros fatos, o nascimento virginal de Jesus e desapareceram na mesma época
e da mesma forma

- Foram desconsiderados pela igreja Romana, para a composição do Novo Testamento, outros 44
Evangelhos, alem dos ditos falsos Atos dos Apóstolos,, Epístolas, os livros de Enoch e Esdras e ainda
vários apocalipses

-O Evangelho de Tomé, um dos desconsiderados, é tido como o mais antigo deles e o que mais fielmente
reproduziria as palavras de Jesus

2.2 - Os Evangelhos canônicos

- Dentre os aceitos como autênticos, o Evangelho de Marcos foi escrito em Roma entre os anos 60 e 80

- O Evangelho de Mateus teria sido o segundo, escrito por Judeus cristãos de Síria, em hebraico

- O Evangelho de Lucas teria sido escrito entre os anos de 80 e 98 e segue os pensamentos de Paulo,de
quem era seguidor. Lucas era médico e não conheceu Jesus

- O Evangelho de João deve ter sido escrito entre os anos 98 e 110, sofrendo evidente influência da seita judaica dos essênios

- Os Evangelhos dos três primeiros são chamados de sinópticos, isto é, são semelhantes entre si, pois o
o que tem num tem nos outros livros

2.3 - A Vulgata Latina

- O que foi aprovado originalmente baseou-se, de uma maneira geral, em relatos de memória ou fragmentos escritos, os quais sofreram a análise e a revisão antes de serem reconhecidos. Esse encargo foi atribuído a São Gerônimo no ano de 382, o qual deveria proceder a seleção dos diferentes documentos e traduzi-lo para o latim

- O Velho e o Novo Testamento foram editados em uma única obra recebendo como título a palavra
grega que significa “Os Livros”

- O resultado dessa composição da Bíblia em latim é conhecido como “Vulgata Latina” e, após ter sido
apresentada por Gerônimo, foi considerada como sendo a versão oficial da Igreja Romana

- Apesar da Vulgata ter sua versão reconhecida no Sec IV, só foi assim declarada oficialmente, por
ocasião do Concílio de Trento em 1546. Entretanto, essa versão foi considerada insuficiente e alterada
por Sixto V em 1590. Novamente foi considerada incorreta por Clemente VIII e vem até hoje sofrendo
revisões

- Até o ano de 1455, cada exemplar da Bíblia era copiado, à mão, pelos monges e escribas, não se
podendo saber do grau de imperfeição dessas cópias, até que viesse a se transformar no primeiro livro
impresso por Gutenberg em 1456

- Embora os Evangelhos tenham sido inspirados pelo Plano Espiritual Superior, não caberia ser dito,
como o foi pelo primeiro Concílio do Vaticano, em 1870, de “ter Deus como seu autor”, pois esta
afirmação irá dificultar qualquer aceitação, por parte da Igreja Romana, de possíveis erros que possuam,
e que possam, por exemplo, vir a ser encontrados em documentos, como os foram, os manuscritos do
Mar Morto, descoberto em 1947

- Essa mesma concepção é adotada pelos protestantes, que nesse aspecto, talvez, venham a ser mais radicais, pois temerariamente, consideram como obra divina não só os Evangelhos Canônicos ajustados ao Protestantismo, mas a Bíblia em sua totalidade, isto é, incluindo o Antigo Testamento também ajustado que, como sabemos, contém informações que desafiam qualquer análise racional


3 - A CASA DO CAMINHO

3.1 - O trabalho dos Apóstolos

- Após o desencarne de Jesus, os apóstolos continuaram mantendo-se ligados às Leis Mosaicas e frequentando os cultos dos Templos, enfrentavam os sacerdotes e os Fariseus, através dos relatos que faziam sobre os ensinamentos, os milagres e sobre o que supunham ser a ressurreição do Cristo

- Os Judeus estavam convencidos de que Deus, o Deus único de todo o mundo, era um deus reto e justo,
mas estavam igualmente convencidos de que era um Deus negociante que fizera um trato com seu Pai
Abraão a respeito deles, trato em verdade excepcional, um espécie de concessão privilegiada do Mundo, que se destinava a levá-los, por fim, à predominância na Terra

- Nos manuscritos do Mar Morto, encontrados e Qumrã, foram identificadas grandes ligações e semelhanças entre os Cristãos e os Essênios

- Com o início da tarefa apostólica dos discípulos, foi criado próximo a Jerusalém e na estrada para Jobe,
o primeiro local de reunião dos seguidores do Cristo, a chamada “Casa do Caminho”, onde eram recebi-
dos os necessitados, os doentes e nele se reuniam os “homens do caminho, como eram chamados os se
guidores do Cristo”, para o estudo das passagens do Evangelho ainda não escrito, mas, contados
oralmente

- Em decorrência das crescentes atividades dos “Homens do Caminho”, um jovem e brilhante fariseu
Doutor das leis, Saulo de Tarso, foi designado pelo Sinédrio para ser o perseguidor, principalmente dos
Helenistas Cristãos, sendo ele responsável pela execução de Estevão, entre outros e durante e durante a viagem de perseguição que realizava a Damasco no ano 38, foi surpreendido no caminho com a visão do
Cristo, o que resultou em sua conhecida conversão ao Cristianismo


3.2 - A tarefa de Paulo

- Fora da Palestina, a Síria era o país onde mais havia se desenvolvido o Cristianismo

- Em Damasco era elevado o número de Judeus-cristãos e em seus arredores existia uma expressiva comunidade helenística essênia que havia se convertido ao cristianismo, entre eles Paulo que três anos
após a sua conversão, acompanhado por Barnabé, encontra-se em Jerusalém, na “Casa do Caminho”,com
Pedro e Tiago (o menor)

- A influência dos costumes Judaicos continuava a interferir no relacionamento entre esses grupos, assim
é que os Judeus- Cristãos não se sentavam à mesma mesa com os Cristãos de origem pagã, os “Gentios”, por isso eles eram obrigados a reunirem-se em ambientes diferentes

- Após a sua conversão, Paulo dedicou-se principalmente à conversão dos “Gentios”, pessoas a quem antes desprezava

- Paulo mantinha uma posição intransigente quanto a não considerar necessária a realização da circuncição dos gentios convertidos ao Cristianismo e, por volta do ano 49, através do “Concílio de Jerusalém”, foi decidido o apoio à posição de Paulo no sentido de que não seria exigido dos gentios a circuncisão, o que acarretou a ruptura das ligações ainda existentes entre o Cristianismo e o Judaísmo

- A partir daí, Paulo passou a ser considerado pelos Judeus e por certos Judeus-cristãos, como um traidor
de seus costumes, resolvendo então partir para suas viagens por países de influência grega, disseminando
pela Síria, Turquia, Grécia, Chipre, Macedônia e vários outros países e regiões do Mediterrâneo
- Foram criadas igrejas denominadas de “Ecclesias” com características das “Casas do Caminho”, o que representam hoje os nossos Centros Espíritas, sendo os seus freqüentadores chamados de Nazarenos e, posteriormente, Cristãos

- Além das atividades de Paulo, outros Apóstolos também atuaram na disseminação do Cristianismo

- Pedro, antes de seguir para Roma, teria divulgado o Evangelho pelas cidades localizadas no litoral do
Mediterrâneo, na Palestina, Fenícia, Síria e Silícia

- Tiago divulgou o Evangelho na Palestina, Thomé , na Mesopotâmia, Filipe entre as cidades da Ásia
Menor Oriental e João pela Ásia Menor Ocidental


4 - A INFLUÊNCIA DE ALEXANDRIA

- No Egito despontava como centro de importância cultural a cidade de Alexandria, que disputava com
Roma, o centro das atenções no Império Romano, a qual recebia, de há muito a influência dos filósofos
Gregos de maior projeção

4.1 - O pensamento de Fílon

- Fílon, filósofo Judeu, tendo sofrido uma positiva influência grega, via o Antigo Testamento de uma
maneira um pouco diferente daquela de seus confrades Judeus da Palestina

Tendo vivido entre 20 a.C e 50 d.C, entendia a ressurreição e a vida de uma maneira bem mais espiritua-
lizada, considerando a vida espiritual como sendo a verdadeira vida e a ressurreição ou renascimento
como sendo espiritual e não físico

4.2 - A influência de Orígenes

- Essa visão de Fílon influenciou também a interpretação do teólogo cristão Orígenes, de Alexandria, de
parte dos gnósticos e dos cristãos heterodoxos de maneira geral

- Eram considerados heterodoxos aqueles que não aceitavam, sem discussão, sem debate dos aspectos
lógicos e racionais, os dogmas e as decisões que eram impostos pela chamada Igreja Romana

- Após a fase das perseguições iniciais, o Cristianismo passou a sofrer as interferências locais e a influência das diversas lideranças, cada uma com suas idéias próprias, visando encontrar a maneira mais fácil de conquistar novos adeptos, de angariar poder e influência política

- Assim , surgiram na Igreja de Alexandria a corrente dos agnósticos e dos Origenistas, liderados por
Orígenes (185 -254), teólogo, que a ele se opunham os chamados cristãos ortodoxos

- Embora a maior parte dos livros de autoria de Orígenes tinha sido destruída por serem considerados
heréticos, por não aceitar ele a adoção dos dogmas e rituais que não haviam sido utilizados pelo Cristo,
sabe-se que falava ele da preexistência da alma e sobre a reencarnação

-No ano de 215, o bispo Demétrio de Alexandria, da corrente ortodoxa, proibiu que Orígenes continuasse
a pregar na Igreja, por ele não ter sido ordenado padre e, posteriormente, conseguiu sua excomunhão, baseado no argumento de Orígenes afirmar, ser possível o demônio ser salvo

- Outro ponto que colocou os ortodoxos contra Orígenes, foi a defesa do livre – arbítrio, pois a Igreja não
podia admitir que uma pessoa que houvesse sido salva por ela, pudesse cair novamente, nem que um
mendigo ou prostituta pudesse se salvar, elevando-se ao nível dos anjos, entendendo os ortodoxas que o
destino de cada um era definido por Deus e não pela intenção individual de transformação

- Um outro aspecto que viria condicionar o raciocínio dos ortodoxos foi a definição da natureza da alma

- Enquanto Orígenes admitia que a alma pertencia ao Mundo Espiritual, os ortodoxos , ao contrário,
concebiam que a alma não é, e nunca foi parte de Deus e que, ao contrário, pertence ao mundo material,
só podendo passar para o Mundo Espiritual com ajuda a da Igreja e, também, que a alma e o corpo são
criados ao mesmo tempo, no momento da concepção

- Essas definições colocavam a figura da ressurreição como sendo a da carne e não a do Espírito, já que o
Espírito seria material


5 - CONSTANTINO I - O GRANDE

- No início do Sec III, o Cristianismo pela primeira vez era reconhecido como religião oficial. De uma maneira geral, o Cristianismo se disseminara pela Palestina, Síria, Ásia Menor, pelo Mediterrâneo,
incluindo o norte da África, desde o Egito até Magreb, pelos Bálcãs, até o extremo ocidental do Império Romano, a Inglaterra

5.1 - A Cristanização do Império

-O Imperador Constantino legalizou o Cristianismo, através o chamado “Édito de Milão”, no ano de 313,
assim os pagãos passaram a freqüentar as igrejas, para depois serem convertidos

- O Cristianismo passou a sofrer a influência do paganismo, influência que foi ampliada com a entrega feita por Constantino, dos antigos templos pagãos às igrejas cristãs ortodoxas

- Voltara a igreja a adotar a figura dos sacerdotes, instituíra a estrutura dos bispos, que escolhiam os
padres, e, por fim, os diáconos

- Constantino de declarava Cristão, mas na realidade utilizou-se do Cristianismo, manejando as instituições da época e conduzindo sua implantação nas condições que melhor atendessem aos interesses do seuImpério



5.2 - A adoção das imagens

- Utilizando os nichos das paredes dos antigos templos, que eram usados para a colocação das imagens
dos deuses, passaram os dirigentes das igrejas a ali instalar as imagens de Jesus, de Maria e dos mártires,
entendiam que com isso obteriam maior interesse por parte do povo

- Adotaram os paramentos e as indumentárias que pudessem parecer atrativas, os ritos, assim como os
cajados de ponta recurvada, os mesmos utilizados pelos antigos sacerdotes pagãos

- O primeiro movimento de reação face à adoção e ao culto das imagens, de que se tem notícia, foi o cha-mado “Movimento Iconoclasta”, implantado na cidade de Constantinopla

5.3 - A influência Pagã

- Passara a ser motivo de preocupação :
(1) A aparência luxuosa das igrejas
(2) A adoção dos altares e púlpitos, dos sinos, do incenso e dos corais
(3) O não atendimento dos pobres e doentes que afastavam os novos fiéis

- Essas medidas passaram a afastar os cristãos primitivos, transformando-os em críticos da nova igreja,
começando então a sofrer a perseguição dos novos dirigentes, tendo muitos deles, se retirado para o deserto, onde se reuniram dando origem ao monasticismo, a vida espiritualizada dos mosteiros

- Esses místicos eremitas que se refugiaram nos desertos, passaram a ser chamados de monges ou ascetas
procurando se afastar de tudo que significasse materialismo

- Era necessário justificar as medidas adotadas e o grupo que apoiava as novas medidas, os chamados
Ortodoxos passou a apresentar interpretações que na realidade não eram encontradas no Evangelho do
Cristo. Assim, como justificativa para a substituição dos sacrifícios de animais que eram realizados nos
Templos Pagãos, foi aprovado, pelo Concílio de do ano 318, a interpretação de que o drama de Jesus no
Gólgata, passasse a ser um sacrifício de sangue, “hostiae piaculares”, que quer dizer, vítimas sacrificadas
para expiar o pecado de outrem. O sacrifício do Mestre na cruz, passaria então a substituir todos os
outros sacrifícios de sangue, pela morte de animais, que seriam abolidos e, em lugar deles, foi instituída a
missa, onde seria realizada, a título de sacrifício, o que passou a se denominar “eucarística”, sendo considerado como “hóstia”, isto é, como vítima, o corpo e o sangue de Jesus, representados pelo pão e pelo vinho


6 - ÁRIUS E O CONCÍLIO DE NICÉIA

- No início do Sec IV, um problema ocorreu envolvendo a doutrina trinitária que há tempos suscitava
dissidências em vários pontos do Império

- O princípio da Trindade era adotado por todas as religiões da antiguidade, com exceção do Judaísmo e
do Budismo, sendo a Divindade composta pelo Pai, a Mãe o Filho,ou ainda, pelo Pai, o Filho e o
Espírito

- A primeira referência encontrada sobre essa tendência, vamos conhecer milênios atrás, no conteúdo de
um dos livros do Vedas, que é uma verdadeira Bíblia Hindu

- Para a Igreja Ortodoxa, deveria ser a Trindade instituída com o “Pai” como o Criador, o “Filho” como o
Logos nascido Homem e o “Espírito Santo”como o iluminador dos fiéis

- O Bispo Alexandre de Alexandria discordara da posição de Constantino, na absorção dos dogmas
Pagãos pelo Cristianismo,pois discutia-se dois pontos fundamentais :
(1) A plena igualdade entre o “Pai e o “Filho”
(2) A terceira pessoa da trindade que passara a ser figura do Espírito Santo, já que somente a alma
Divina seria espiritual

6.1 - ARIUS

- A oposição ao princípio da Trindade foi efetivada pelo padre Líbio, Arius, que foi excomungado em
320 através um Concílio

- Os adeptos de Arius, chamados de Arianos, foram acusados de heresia ao colocar em dúvida a Divindade de Jesus

-Com a radicalização de posições, se ampliava a área de apoio a cada um dos lados, criando uma
defecção cada vez maior

- O debate só foi resolvido por decisão do Imperador Constantino, determinando a convocação do
Concílio de Nicéia em 325

- Os Concílios ou sínodos eram reuniões ou assembléias de padres e bispos, que deveriam ser convocadas por um bispo para a interpretação ou aprovação de um dogma a ser adotado pela Igreja

- O historiador Hilton Hotema, no prefácio de seu livro “O primeiro concílio de Nicéia”, afirma que
“Constantino foi muito esperto em realizar o Concílio de Nicéia, cidade da Bitínia, uma das mais remotas das províncias do Império, pois assim os Romanos não tomariam conhecimento dos seus
verdadeiros propósitos”

- Esse historiador, além disso, escreve que Sabinus, em carta a um amigo, informa que somente votaram com Constantino 330 bispos e que eles eram homens iletrados e simples, incapazes de compreender o que se passava, e, também, temerosos de serem tachados de hereges e desejando retornar às suas cidades, votaram com o Imperador, sem entenderem que estavam simplesmente alterando as bases do Cristianismo

- Constantino, apesar de não ser batizado, presidiu os trabalhos do Concílio e, quando Arius levantou-
se para falar, alguém lhe bateu no rosto e muitos se retiraram para tapando os ouvidos, para não ouvir
suas heresias

- Com o Concílio de Nicéia passaram a ser consideradas oficialmente aceitas, praticamente instituída
por decreto, o dogma da “Santíssima Trindade”

- Como resultado do Concílio, ficou definido que Jesus era o único filho de Deus, permanecendo essa
afirmação ainda hoje no texto do credo. Além disso, essa posição conduziu a Igreja à negação da
preexistência da alma, isto é, ela sendo criada no momento da concepção,juntamente com o corpo,
pertenceriam ambos ao mundo material e não seriam criados por Deus

- A negação da preexistência da alma eliminaria mais tarde a teoria da reencarnação

6.2 - A Divindade de Jesus

- Arius havia sido morto por envenenamento

- No concílio de 381, foi adotada como dogma a aceitação oficial do “Espírito Santo” como um
componente da Trindade Divina

-Somente em 391, o Imperador Teodósio conseguiu encerrar a disputa, tornando o catolicismo
Ortodoxo como a religião de todo o Império Romano

- Como interpretar as seguintes afirmações encontradas no Evangelho:

(1) Epístola de Paulo, I Coríntios 8:5 e 6 : “De fato, ainda que haja alguns que se chamem deuses ou no céu ou na terra, para nós, contudo, há só um deus, o pai, de quem tiveram o ser todas as coisas”

(2) João 12 : 49 : Jesus assim se manifestava :”Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai que
me enviou : ele mesmo me prescreveu o que devo dizer e o que devo ensinar”

(3) João 8 : 40 : Jesus diz aos Judeus : “Mas agora procurais matar-me, a mim que sou um homem
que vos disse a verdade que ouvi de Deus”

(4) João 14 :28 : Jesus afirma aos apóstolos : “Se vós me amásseis, certamente havíeis de folgar de
eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que eu”

(5) João 20 : 17 : Jesus diz à Maria de Magdala : “Mas vai a meus irmãos e dize-lhes : subo para meu
Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”

- Passava, assim, a ser definido, o princípio que regeria a interpretação de todas as comunicações
ocorridas ou que viessem a ocorrer, entre o Plano Material e o espiritual, que nós Espíritas encaramos
com tanta naturalidade

- A partir da criação desse dogma, no Concílio em 381, todas as manifestações de “Espíritos bons”
relatadas no Evangelho passaram a ser do Espírito Santo, e qualquer outra manifestação de intercâmbio entre os Planos Espiritual e material, que se realizasse através de um “Espírito Sofredor”,
ignorante de sua situação ou um necessitado de qualquer natureza, passaria a ser interpretada como
de um Espírito satânico, já que a alma não era aceita como sendo de natureza espiritual

- Apesar da visão distorcida com que se passou a ver a manifestação mediúnica, no Novo Testamento
vamos encontrar inúmeras referências a ela, abaixo especificadas :

(1) Na Epístola de Paulo I Coríntios 14, vamos encontrar uma longa série de orientações quanto à
organização de um trabalho de intercâmbio mediúnico, entre os quais reproduziremos alguns
versículos :

- Versículo 29 – “pelo que toca, porém, aos profetas, falem dois ou tres, e os outros julguem
- Versículo 31 – “Em verdade, vós podeis profetizar todos, um depois do outro, a fim de que todos
Aprendam e todos sejam exortados’
- Versículo32 – “Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.
- Epístola I João 4:1 : “Caríssimos, não queirais crer em todo Espírito, mas examinai os Espíritos
para ver se são de Deus, porque muitos falsos professas vieram para o mundo
- Epístola aos Romanos 16 : 14 – “O espírito que vem da parte de deus, é pacífico e humilde; afasta-
se de toda a malícia e de todo vão desejo deste mundo e paira acima dos homens. Não responde a
todos os que o interrogam, nem às pessoas em particular, porque o Espírito que vem de deus não
fala ao homem quando o homem quer, mas quando Deus o permite. Reconhece-se, ao contrário, o
Espírito terrestre, frívolo, sem sabedoria e sem força, no que se agita, se levanta e toma o primeiro
lugar. É importuno, tagarela e não profetiza sem remuneração. Um profeta de Deus não procede
Assim
- Epístola de Paulo aos coríntios 12 :7 – A cada um, porém, é dada a manifestação do espírito para
utilidade comum

- Ainda em nossos dias, as religiões se subdividem em :
(1) Trinitárias - Divindade constituída por uma Trindade ( Bramanismo, Confucionismo Catolicismo
e Protestantismo )
(2) Monoteístas - Deus único (Judaísmo, Budismo, Islamismo, Espiritismo)


7 - A REENCARNAÇÃO

- No interior dos Templos Egípcios, os sacerdotes cultuavam o “Deus Único”, e sobre ele só falavam
aos sábios e a seus alunos, sendo que a divulgação desse Deus a outros que não fossem os chamados
iniciados, era punida com a morte

7.1 - Os Mistérios

-Esses conhecimentos que não deveriam ser tornados públicos eram chamados de”mistérios”

- A revelação dos mistérios só era feita aos chamados “iniciados”, aos pensadores, aos sábios, aos
filósofos, aos que se preparavam para assumir posições sacerdotais, em síntese, pessoas que tinham a
capacidade de estudar e compreender esses ensinamentos

- Os conhecimentos ministrados envolviam a imortalidade da alma, a vida após a morte, as encarna-
ções sucessivas,etc...

7.2 - Vidas Sucessivas

7.2.1 - Os Vedas

- Vamos encontrar referências da reencarnação em todas as grandes civilizações da Humanidade

- Iniciaremos na antiguidade pela Índia ,através “Os Vedas”, O Livro sagrado dos Hindus, com cerca
de 7 mil anos de idade que consta as seguintes narrações

(1) “A alma não nasce nem morre nunca”
(2) “Ela não nasceu outrora nem deve renascer”
(3) “Sem nascimento, sem fim, eterna, antiga, não morre quando se mata o corpo”
(4) “assim como se deixam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma deixa o corpo
usado para revestir novos corpos

7.2.2 - Madeísmo

- Para o Madeísmo, a religião dos persas, também era entendida a Lei da evolução como baseada no
aprimoramento individual obtido através das vidas sucessivas

7.2.3 – Na Grécia

- Pitágoras, o pai da filosofia (570 – 504 a. C ), foi o primeiro a introduzir na Grécia o conhecimento
das vidas sucessivas, dando continuidade, posteriormente, Sócrates (469-399 a.C) e Platão(427-347
a.C), dando continuidade aos estudos de Pitágoras

- Mas foi no importante centro de estudos do Cristianismo, a cidade de Alexandria, que se desenvolveu a chamada Escola Neoplatônica

7.2.4 - Escola Neoplatônica

- Plotino (205 – 270 a.C), líder do Neoplatonismo e seu discípulo Porfírio

- Diz Porfírio em sua obra Enéadas: “É dogma de toda a Antiguidade e universalmente ensinado, que,
se a alma comete faltas, é condenada a expiá-las, recebendo punições em infernos tenebrosos e
depois é obrigada a passar a outro corpo, para recomeçar suas provas”

7.2.5 - Virgílio e Ovídio

Entre a intelectualidade romana, que havia sofrido a influência da cultura grega, vamos encontrar
Reencarnacionistas como os pensadores Virgílio e Ovídio, que aceitavam a transmigração entre
outros Mundos



7.2.6 - Os Druidas

- Entre os gauleses(antigos habitantes da Gália, atual França), seus antepassados e também de Kardec,
que professavam a religião dos Druidas (sacerdotes gauleses)

7.2.7 - Nos tempos modernos

- Os filósofos Leibniz e Dupond de Nemours, que estudaram o tema da evolução do Princípio Inteligente,
desde a mônada (Unidade orgânica) até a humanidade, passando por todos os organismos vivos

- Vamos encontrar referências semelhantes na obra de André Luiz, “Evolução em dois mundos”

7.3 - A Reencarnação e os Cristãos

- Mesmo após o Concílio de Nicéia, permaneciam válidas as idéias de Orígenes, apesar dos Ortodoxos
não se cansarem de tentar combatê-las, mas elas resistiram aos séculos V e VI

- Assim no ano 400, foi invadido o mosteiro de Nitria, no deserto do Egito, ao sul de Alexandria e seus
trezentos monges Origenistas assistiram suas celas serem destruídas, os livros queimados e eles dispersa-
dos

- Várias passagens contidas nos Evangelhos que tratam da reencarnação :

(1) Falando sobre João Batista, Jesus disse : “E, se vós o quereis compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir. O que tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mateus, 11 :14 e 15)

(2) Depois da morte de João Batista, estando no Monte Tabor, após a aparição de Moisés e Elias,
inclusive para os discípulos, e perguntado por eles, Jesus declara : “Mas digo-vos que Jesus já veio,e
fizeram dele quanto quiseram, como está escrito dele” (Marcos, 9 : 13)

(3) Da mesma passagem acima :“Digo-vos, porém, que Elias já veio e não o reconheceram, antes fizeram
dele o que quiseram”(Mateus, 17 :12 e 13)

(4) E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença e os seus discípulos perguntaram-lhe :”Mestre,
quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: nem ele nem seus pais pecaram,
mas foi para se manifestarem nele, as obras de deus (João, 9 : 1 a 3 )

7.4 -As Posições de Santo Agostinho e de Pelágio

7.4.1-Santo Agostinho

- Nessa época, despontava como filósofo cristão, a figura de Agostinho, o qual tivera uma vida voltada
aos prazeres materiais

- Ele se aprofundara na doutrina maniqueísta e recolheu-se a um mosteiro, onde recebeu o batismo, foi
convidado a participar do clero em 391, sendo bispo de Hipona, norte da África

- Suas teses sofreram profunda interferência do Maniqueísmo, doutrina da autoria de Manes ou Mani
queu (215-276), originaria da Pérsia

- A Doutrina maniqueísta se baseia nas seguintes afirmações :

(1) Que o Universo é resultante da criação de dois princípios : o bem ou Deus, e o mal, o demônio
(2) A alma só poderia se libertar através da sabedoria e não a renúncia às coisas materiais ou sensuais
(3) Que o salvador forneceria os meios para a libertação
(4) Que entre os encarnados existiam dois tipos de pessoas : os eleitos e os predestinados

- Agostinho dividia suas convicções da seguinte maneira :

(1) Deus viveria na alma de todos, e todos deveriam dirigir sua atenção a Deus
(2) As pessoas não poderiam mudar seu comportamento pecaminoso, a menos que com a graça de Deus,
pois Deus escolheria alguns indivíduos para receberem a graça. Eram os predestinados
(3) Ninguém poderia receber a graça se não pertencesse à Igreja e recebesse os Sacramentos

- Santo Agostinho passou a defender a teoria do”pecado original”, e que todos os sofrimentos do homem é devido a ela e teria sido transmitida aos descendentes de Adão através do sêmen, quando da fecundação

- Baseado nessa mesma teoria, do “pecado original”, justificava a necessidade do batismo, sob pena de
serem as pessoas não batizadas destinadas ao inferno

Por ser uma tese que atendia os interesses de Roma, já que a salvação ficava subordinada à intervenção
da Igreja e ao batismo, mesmo debatida durante longos anos, por Agostinho e outros teólogos, acabou por ser aceita e adotada pela Igreja Católica, através do “Concílio de Orange” no ano de 529

- Questionamento sobre a concepção do “pecado original” idealizada por Agostinho :

(1) Criando o homem e a mulher, não havia o Criador recomendado o “crescei e multiplicai-vos” ?
(2) Jesus ou algum discípulo, fez alguma vez qualquer referência ao “pecado original” ?
(3) É o “pecado original” citado no Antigo ou Novo Testamento ?
(4) Antes de sua criação por Agostinho, era o “pecado original” citado pela Igreja Romana ?
(5) Aceitando que o dilúvio teria eliminado toda a humanidade, excluindo somente a família de Noé,
escolhida por Deus, não estariam os seus sucessores redimidos do “pecado original” cometido por
Adão ?

- Questionamentos quanto a importância de utilização do batismo

(1) Considerando que João Batista realizava o batismo como meio de purificação, adotada pela seita dos Essênios, à qual pertencia, não vemos Jesus aceitar realizar o mesmo ritual
(2) Não nos consta terem os pais, os apóstolos e os discípulos de Jesus sido batizados
(3) Noé e sua família teriam sido batizados ?

- Santo Agostinho foi ainda o responsável pela institucionalização da idéia de que mais valia forçar um
Herege a aceitar a fé, do que permitir que sua alma fosse destruída no fogo do inferno

- Essa posição acima, passou a ser utilizada como justificativa, para que as maiores e mais cruéis torturas,
guerras e perseguições, passassem a ser desencadeadas em nome da defesa da fé, na história do Mundo

7.4.2 -Pelágio

- Em 410, aportava em Cartago, cidade da Tunísia de hoje, no norte da África, um monge originário da
Grã Bretanha, chamado Pelágio, respeitado em Roma

- Pelágio desprezava as posições dogmáticas, bem como o “pecado original”, o batismo, a predestinação
e a graça divina

-Era ele favorável ao esforço pessoal para a correção dos próprios defeitos, na liberdade de decisão

-Pelágio tentou se relacionar com Agostinho, mas em face das reações locais, resolveu deixar Cartago,
dirigindo-se dali para o Egito e para a Palestina, sendo condenado como herege pelo Concílio de Éfeso
em 431

- Sua teoria , em instância final, foi condenada por Roma no mesmo Concílio de Orange em 529, que aprovava a posição de Agostinho quanto â aceitação do “pecado original ” como justificativa para a
diferença entre os homens

- A condenação oficial às idéias de Origines, foi efetivada pelo Quinto concílio de 553, convocado pelo
Imperador Justiniano, em Constantinopla, sem o apoio e a presença do Papa. Conseguiu ele que fossem aprovados pelos bispos presentes, 15 análtemas (excomunhão) contra as propostas de Orígenes, inclusive sobre a preexistência da alma, que eliminou a aceitação da reencarnação, apesar de não ter o assunto sido
Até hoje tratado diretamente


8 - O PAPA, A IGREJA E O PODER TEMPORAL

- Com o fluir do tempo, ao invés de a Igreja procurar se voltar às origens, buscando se aproximar dos
ensinamentos deixados pelo Cristo, cada vez mais deles se distanciava

- Cada vez mais se destacavam os aspectos voltados aos interesses materiais, ao poder político e econô
co e cada vez menos se desenvolvia a preocupação com os interesses dos pobres e dos necessitados, do
povo ignorante e sofrido

- Por volta dos anos 370, o padre Ambrósio, que posteriormente foi eleito Santo da Igreja Romana, come
çou a propagar o culto às relíquias, o qual consistia de cultuar os restos mortais e os bens materiais que
supostamente haviam pertencido a Jesus, à Maria , aos mártires e aos Santos. A veneração a essas peças
levou à suposta realização de milagres, que seriam realizados através delas e, em vista disso,desencadeou
uma verdadeira caçada às relíquias, criando, mais tarde, no interior da própria Igreja e fora dela, um
comércio específico

- A igreja era tutelada pelo estado, mas eram permanentes as tentativas de inverter essa situação

- O Imperador Teodósio, o mesmo que havia declarado o Cristianismo como religião oficial do Império,
Através de decreto intitulou o bispo de Roma como sendo o “Papa da Igreja”e o sucessor do apóstolo
Pedro

- Pouco antes de sua morte, no ano 395, Teodósio dividiu o Império entre o do Oriente, com sede em
Constantinopla, e o Ocidente com sede em Milão

- Em 440, foi nomeado o Papa leão I, que tentando verdadeiramente assumir a direção da Igreja, passou a
a negociar a proteção de Roma diretamente com os Hunos, conseguindo que a cidade fosse poupada

- A aceitação de que o Papa seria o sucessor do apóstolo Pedro, cabendo, portanto, a ele o comando da Religião Cristã, só passou a ser realmente reconhecida, quando essa imposição criada por decreto imperial foi acatada pelos bispos, após o término do primeiro Milênio

- O Mitraísmo, doutrina originária da Pérsia e que se difundira por todo o Império Romano, havia
Emprestado o paramento de cabeça de seus sacerdotes pagãos, para os bispos católicos, que passaram a
adotá-la, a MITRA

- Há vários séculos os adeptos desse culto comemoravam, com grandes festividades, no dia 25 de dezembro, o dia do “Deus Sol”. Eram de tal importância essas comemorações, que no ano de 525, a Igreja
Romana, visando reduzir o envolvimento dos cristãos nesse evento, resolveu adotar essa mesma data,
como a de comemoração do nascimento de Jesus, em substituição aos festejos dedicados a esse Deus
Pagão

- Em 593, face às grandes dificuldades de justificar a pena do “fogo eterno” para os pecados de menor importância, foi aprovada a existência do Purgatório, como local de expiação temporária

- O Império Romano, para efeito popular, apoiava seu poder na Igreja, isto é, aparentava publicamente
que os imperadores eram empossados por ela, para que fossem eles considerados como apoiados pelo
poder divino, entretanto, a realidade é que o imperador é que escolhia o Papa, interferindo diretamente
sobre suas decisões.

- Com a queda do Império Romano, a Igreja passou a se apoiar no Estado Franco, e tanto nesse período
como na Idade Média, passou a exercer sua dominação sobre o Estado

- Crescia o poder da Igreja sobre o Estado e o Papa sobre a Igreja, pois os Papas procuravam cada vez
mais interferir na escolha dos bispos, que eram então escolhidos pelos padres e pelo povo

-No Sec X, no Império do oriente, então denominado Império Bizantino , por iniciativa do próprio Imperador, e contrariando as posições do Papa Leão III, foi determinada a destruição de todas as imagens, ou ícones, para que o povo cultuasse somente a Deus, fato que durou apenas um século

- Em 1054 0 império do oriente passou a não mais seguir a orientação do Papa, e esse movimento ficou conhecido como o “Cisma do Oriente”, dando origem à Igreja Cismática Ortodoxa Grega, hoje conhecida como “Igreja Ortodoxa”, que se mantém independente do vaticano

- Em 1059, o Papa Nicolau II deu início a uma fase de reformas, criando o Colégio dos Cardeais, para a
eleição dos Papas, retirando , assim, o poder da escolha dos mesmos, pelo Imperador, o que era até então
como o “Cesaropapismo”

- Em 1073, o Papa Gregório VII instituiu o Celibato Crerical, ou seja, a proibição do casamento dos
Sacerdotes católicos

- O Sistema Feudal enfraquecera o poder político, fortalecendo o poder Papal

- Com o desenvolvimento da economia pré-capitalista, e o enriquecimento dos membros do clero e das
próprias igrejas, começaram a surgir movimentos, dentro e fora do clero, contra o distanciamento cada
vez maior entre a Igreja e a Doutrina do Cristo, reações essas que foram crescendo e ameaçando a estabilidade da própria Igreja

- Esses fatos provocaram uma reação por parte de Roma, necessitando o Papa demonstrar que a Igreja
passaria a reagir contra os que discordassem de suas idéias, e que, os que discordassem haveriam de ser
punidos com a morte pelo fogo. Assim, teve origem a chamada “Santa Inquisição” ou “O Santo Ofício”

- Pelo “Concílio de Verona”, em 1184, bispos foram nomeados como “Inquisitores Ordinários”

- A prática da queima de hereges na fogueira, realizada com solenidade em cerimônias denominadas
“Autos de Fé”, foi introduzida no final do Sec XII e a utilização da tortura, para a obtenção de confissões
foi autorizada em 1252, pelo papa Inocêncio IV

- A partir de 1123, passaram a ser convocados pelos papas, os “Concílio Ecumênicos”, diferenciando dos
anteriores porque através deles, o papa passava pessoalmente a fazer as Leis e as promulgar

- Em função da necessidade de demonstrar seu poder aos bispos, à Igreja do Oriente, e ainda interromper
o Crescimento do Islamismo no Oriente Médio entre os Árabes, o Papa Urbano II, resolveu dar início à chamada “Guerra Santa” ao Islã . Assim, é que em 1095, no “Concílio de Clermont”, convocou a Primei-
ra Cruzada

- Apesar disso, da indignidade bem distante dos ensinamentos provindos do Mestre Jesus, eram os Papas
apresentados pela Igreja Romana como fonte Divina do poder, com o atributo de distribuir coroas e de
serem os detentores da sapiência e das decisões, como juízes infalíveis

- Essa situação provocou uma crise que foi denominada “O Grande Cisma”, movimento que exigia a
reforma da Igreja, sendo o movimento dos bispos, que se diziam representantes da vontade Divina, e,
portanto os verdadeiros dirigentes da Igreja. Estava, pois, instaurada a luta pelo poder, tendo de um lado
o poder Papal, e de outro o poder conciliar dos Bispos

- Sob essas alegações, foi escolhido e nomeado pelos Bispos, em 1409, um terceiro Papa com sede em
Pisa


9 - AS REFORMAS

- Com o fim da Idade Média (conhecida como “Idade da Trvas”), iniciou-se o período que se denominou de
Renascimento, foi a renascença da literatura, das artes, da filosofia, do retorno à vida nas cidades

- Na religião, a Reforma se desenvolveu reagindo contra as posições Igreja Católica, buscando, corrigir as
Distorções

9.1 - Os Precursores do protestanismo

-Com o advento da criação das Universidades, uma elite intelectual passou a fazer parte do bloco de
pressão, sugerindo teses, idéias e doutrinas, visando uma nova estrutura do poder religioso


9.1.1 - John Wycliffe (1320 – 1384)

- Manifestava em suas obras:

(1) O povo não era obrigado a obedecer a governantes ou religiosos injustos
(2) Qualquer homem está tão próximo de Deus quanto os padres
(3) O importante é a Bíblia e não os Sacramentos
(4) Denunciava as atitudes reprováveis da Igreja, a prepotência Papal e os dogmas

- Suas obras foram considerados heréticas

9.1.2 - Jan Huss

- Era reitor da Universidade de Praga, ferrenho defensor da doutrina de Wycliffe

- Suas idéias, ampliadas das de Wycliffe, estavam contidas em “Ecclesia”

- O Concílio de Constance sentenciou através de julgamento, para que fosse queimado vivo, junto com
seu parceiro Jerônimo de Praga ,em 1415, por serem considerados hereges

- Suas últimas Palavras :”O ganso(fazendo alusão ao deu nome,Huss), que dizer ganso em boêmio, é
pássaro modesto e que não voa muito alto, mas virão as aves do alto céu e essas voam muito além das
armadilhas dos inimigos

- Esses nomes acima citados, entre outros, teriam se constituído nos principais precursores da Chamada
Reforma Protestante, que somente seria desencadeada um século após a realização do Concílio de Constance que os havia condenado

9.1.3 - Lutero

- O comércio de produtos religiosos era variado e extremamente rendoso, sendo que os principais artigos
colocados à venda eram :

(1) Cargos religiosos
- eram vendidos a pessoas que não estavam interessadas exercê-las, mas apenas apresentar-se como cléricos, desconhecendo as Escrituras, as orações, os ritos

(2) A dispensa
- Autorização em caráter excepcional para o não cumprimento de uma Lei da Igreja

(3) A Indugência
- Concessão da graça da redução dos castigos devidos a pecados cometidos

(4) As relíquias
- Acreditando no poder de proteção ou de cura desses supostos objetos sagrados, vendidos por uma
fortuna, como pedaços de cruz,ossos que teriam pertencido a Santos, cabeças pertencentes a João Batista

- A Igreja se negava a pagar impostos, e o seu patrimônio crescia sempre, através da transferência resultante dos pagamentos efetuados na compra de benefícios, do dízimo e nas doações testamentárias,
que por lei eram obrigatoriamente redigidas na presença de um padre. Como conseqüência disso, cerca
de um terço do território alemão e um quinto do francês, pertenciam à Igreja e não podiam ser tributadas

- No início do Sec XVI, os negócios de venda de indulgências do Papa Leão X se mantinham apresentando bons resultados, e Martinho Lutero, professor de Teologia da Universidade de Wittenburg, não aceitando participar do comércio, deu início em 1517 à realização de uma campanha pública de combate aos atos de corrupção do clero

- A campanha pública de repúdio aos atos de integrantes da cúpula da igreja se desenvolveu através da fixação na porta da capela de Wittemberg, de uma série de proclamas, no total de noventa e cinco, com o
desejo de”fazer brotar a luz “

- Foi instaurado um processo contra Lutero por prejudicar o “Negócio Sagrado”, tendo como conseqüência a exigência de sua retratação e, não aceitando-a recorreu ao Papa, tendo recebido uma ameaça de excomunhão e, a partir do fato declarou rompimento com a Igreja, sendo acompanhado por
um número significativo de sacerdotes que passaram a ser denominados Protestantes, definindo uma
nova Doutrina em 1530

9.1.4 - Calvino

- Em 1534, foi iniciado na França uma tentativa de extensão do Protestantismo, liderada pelo padre Jean
Calvino, tendo sido implantado na Suíça e se expandindo para a Itália, frança, Inglaterra, Holanda e
Escócia

- O rei Henrique VIII da Inglaterra, passou a aceitar a reforma, após ter o papa se negado a anular seu casamento

- Em 1534, ele implantou a chamada igreja Anglicana, passando a ser ele o seu dirigente máximo, e mandou que fosse desencadeada a perseguição aos católicos e as outras religiões protestantes

-Na Escócia implantou-se o Calvinismo em 1560, sendo o Plebisterianismo declarado como religião
Oficial

9.2 - O Concílio de Trento

- O catolicismo iniciou definição de novas políticas visando interromper o avanço das novas religiões, através o “Concílio de Trento”, em 1545

- Dentre as principais medidas adotadas, foram aprovadas as seguintes :
(1) Formação de padres
(2) Somente a Igreja poderia interpretar a Bíblia
(3) Restauração da Inquisição, visando impedir a penetração do Protestantismo na Espanha e em Portugal
(4) Suprimida a venda e a concessão de indulgência

- O Papa Paulo III, em 1540, entrega a Inácio de Loyola a Organização da Companhia de Jesus, visando reforçar as hostes da Igreja e o poder sobre os fiéis

- Essa nova ordem, com poderes ilimitados, passou a operar como um verdadeiro organismo policialesco,
agindo em todas as frentes de forma arbitrária e desumana

- A nova religião Protestante, iniciava sua implantação pela Europa inserida em uma dose de excessivo fanatismo em relação à crença de que só na Bíblia poderia ser encontrada a fonte da religião e da verdade
absoluta

- Para se ter uma idéia mais real da maneira como as coisas eram vistas, é preciso conhecer algumas frases de Lutero, como por exemplo : “ A razão seria a prostituta do diabo” e recomendava a deus adeptos a “contentarem-se com a revelação e não tentar entender”

9.3 - O FIM DE UMA NOVA ERA

- Provavelmente, um dos últimos hereges a ser queimado vivo, foi o monge Giordano Bruno, doutor em
Teologia, perseguido tanto por católicos quanto a Calvinistas, é considerado como tendo sido o maior filósofo da renascença

- Suas principais idéias eram :

(1) Acreditava serem as almas criadas por Deus
(2) Afirmava que a alma poderia retornar em outro corpo para realizar sua evolução
(3) Discordava da santíssima Trindade

- Foi preso, torturado e isolado durante 7 anos, sendo julgado e condenado à fogueira em 1600

- No início do Sec XVII, vamos encontrar o Cristianismo estruturado em duas grandes religiões : O catolicismo e o Protestantismo, que passam a se decompor em várias seitas

- As diferenças estabelecidas entre elas, seriam maiores em relação aos métodos ritualísticos implantados e à conduta de seus dirigentes, do que propriamente em relação aos princípios dogmáticos – doutrinários
adotados por cada uma

9. 4 - AUTO DE FÉ EM BARCELONA

- em 1861, em Barcelona, por ordem do Bispo desta cidade, foram queimados, em praça pública, 300
volumes sobre o Espiritismo : O livro dos espíritos, o Livro dos Médiuns e coleções da Revista Espírita


10 - CONCLUSÕES

- O Espiritismo nos foi anunciado por Jesus , através de seu apóstolo João 14:16,17e26–15:26-16:7-8-12
e13

- Temos agora melhores condições de entender o encadeamento do raciocínio que levou o catolicismo às
decisões dogmáticas que adotaram

- Melhores condições certamente, do que aquelas que se declaram como católicos praticantes ou como
Protestantes, mas que de um geral desconhecem os meandros da história e da influência político-doutrinária, que conduziu a mente dos pensadores ortodoxos na defesa de suas posições

- Esses meandros podem ser por nós hoje entendidos como tendo sido adotados dentro de um conceito
preconcebido, direcionado na solução dos problemas de ordem material, e não como o resultado de uma
conclusão racional, ou ditado pela Espiritualidade Superior


- Análise de Léon Denis :

- “A igreja só foi verdadeiramente popular e democrática em suas origens, durante os tempos apostólicos, períodos de perseguição e de martírio e, no dia em que foi oficialmente
reconhecida pelo Império, a partir da conversão de Constantino, tornou-se a amiga dos Césares, e ,
algumas vezes, cúmplice dos grandes e dos poderosos

- Cansado de dogmas obscuros, de interesseiras teorias, de afirmações sem provas, o pensamento humano há muito se deixou empolgar pela dúvida, tendo a fé se extinguida e o ideal religioso desaparecido e, concomitantemente, com os dogmas, perderam o seu prestígio as elevadas doutrinas filosóficas

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