sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Autodescobrimento - Palestra 02

AUTODESCOBRIMENTO - Palestra 02

1 - PERGUNTAS

1.1- Por que na minha vida tudo está dando errado, apesar de estar estudando, trabalhando no Centro Espírita ?

- Tem a ver com as nossas vidas passadas, principalmente devido as nossas imperfeições,
aqueles pontos que ainda não conhecemos e que precisamos trabalhar neles, para que
possamos nos modificar

- A vida lá fora é um reflexo da nossa realidade íntima. Se a nossa vida está atribulada,
está em dificuldade, não significa que sejamos maus, ruins, pior que ninguém, mas simples
mente significa dizer que existem aspectos nossos que ainda não conhecemos e, por isso
mesmo não estamos conseguindo transformá-los ou modificá-los

- O Evangelho Segundo o Espiritismo, a Doutrina dos Espíritos nos apresenta quatro pila
res, os quais nos dão forças para a nossa transformação : a oração, a vigilância, o trabalho
na caridade e o estudo edificante

- Ninguém pode melhorar sem ajuda espiritual, se, a conexão com a própria luz que nos envolve, sem modificar os paradigmas

- Se a nossa percepção da vida for a mesma, nós não vamos conseguir transformar nada

- Sem esse estudo edificante, sem esse estudo de reflexão do que é a vida, o que estamos fazendo aqui e o porque , não podemos eliminar esse paradigma

- A caridade é outro pilar básico da Doutrina. Sem colocarmos nossa idéia, nosso pensamento e nossa ação em cima de algo que nos tire do nosso apego, a nossa identifica
ção com a matéria, dificilmente, também, conseguiremos fazer uma mudança significativa

- Quando faço um movimento de ajuda ao outro, eu saio de mim, eu saio da materialidade da vida, eu me sensibilizo. Assim me encontro apto a me modificar

- O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ensina que temos que nos reformar, transformar
nossa realidade interna

- Se nós tivermos esses pilares, essas forças internas e não as usarmos para transformação
de nós mesmos, vamos continuar atraindo situações difíceis e complicadas da vida

- A Reforma Íntima é uma sistematização, uma maneira que tem uma seqüência, um enca
deamento lógico de trabalho conosco mesmo de transformação pessoal

- Muitas vezes, a nossa realidade de vida não muda, não porque estejamos errado, não porque não tenhamos merecimento, não porque somos imperfeitos, falhos, mas porque
ainda não conhecemos, nós ainda escondemos essa realidade interna para não encará-la
ou enfrentá-la e isso vai gerar desequilíbrio interno


3 -REALIDADES

3.1- EU REAL, EU VERDADEIRO, EU DE LUZ, EU ESSENCIAL, SELF, EU SUPERIOR

- Nós precisamos de encontrar uma fórmula de sintonizar esse “Eu Real” ou “Verdadeiro”
através da oração, da caridade e o estudo edificante

- Mas toda vez que eu me transformo, que conheço um aspecto meu distorcido e consigo
transformá-lo, eu acesso melhor a minha “luz”

- O grande trabalho que temos de fazer é acessar essa luz, transformar essa distorção e nos desidentificarmos desse “Falso Eu”

3.2 - FALSO EU

- É o aspecto ilusório, não é a “Luz”, não é minha distorção, mas é como me apresento para a vida, é aquilo que eu uso para sobreviver e me colocar na sociedade

- É aquela parte que quase todos nós, em algum nível, nos identificamos, pois a nossa identificação não é com o nosso “Eu Verdadeiro” e sim com o “Falso Eu”

- Apesar de que a nossa realidade última é de que somos filhos de Deus, filhos da luz, é que nós somos “Luz” ainda, por mais que seja nosso esforço, não conseguimos sintonizar de uma forma adequada, ou vivenciar de uma forma razoável , essa luz , e muitas vezes nos agarramos as imagens idealizadas

- O que identifica um bom cristão, um Espírita, não é, necessariamente, o que ele sabe e
nem a caridade do quanto ele faz, mas como ele lida com os problemas, com as dificul
dades , com a família

3.3 - EU DISTORCIDO, EU INFERIOR, SOMBRA

- Muitas vezes temos o seguinte raciocínio : “de que somos “sombra”, “distorções”, “ruins”, e à medida que vamos evoluindo, começamos a criar um processo evolutivo de
“purificação” e iluminação pessoal

- Essa visão de que somos “ruins” e que temos que chegar num “lugar de luz”, muito longe, nos dá um desânimo enorme, pois dá uma sensação que não iremos chegar lá nunca

- A impressão que dá é que a “luz” está muito longe, está fora, e eu não tenho acesso à ela,
e, por mais que eu ore, eu não consigo chegar lá

- Esse conceito cria algumas dificuldades porque a nossa tendência é colocarmo-nos como
“ruins”, pois toda vez que não conseguimos fazer aquilo que consideramos certo, adequado, correto, que nos ajudaria a ser reconhecido pelos nossos familiares, pelas pessoas que a gente ama, imediatamente temos uma sensação de que não temos valor

- Essa é uma realidade humana, e é isso que fizemos o tempo todo

- Quando nos sentimos “ruins”, falhos, errados, sem valor, como é que eu vou me modifi
car, crescer, se já passo do pressuposto que sou uma porcaria, pois só posso me transfor
mar se eu tiver força

- Eu só posso realmente chegar a um lugar se eu tiver energia para poder me mover, e toda vez que estiver contra mim, em conflito comigo, eu perco essa força, essa capacidade de mudança

- Apesar das nossas imperfeições, das nossas falhas, a nossa realidade última, a nossa
realidade essencial é de “luz” e não de “distorção”

- Nós vemos em revistas, na internet, em palestras e livros a visão sociológica, antropológica, psicológica de colocar o ser humano como um animal , o qual está sempre
lutando pelo poder e pela sobrevivência

- Essa visão traz ao ser humano uma visão mais realista, porém,sem esperança, sem futuro.
Ela é niilista, pessimista, nos tirando essa sensação de que algo mais existe

- Apesar das nossas distorções, de nossos equívocos, somos filhos de Deus, somos eterna
mente “luz”. Nessa luz, se eu realmente sintonizar com ela e me abrir pra ela , vou estar fluindo através dessa energia. Entretanto, se eu imaginar que sou “torto” e que um dia eu
vou me esclarecer e evoluir, eu já tenho que partir do pressuposto que não sou nada e não
tenho nada, que tenho sempre que buscar “fora”, num lugar que eu não sei aonde

- Essa idéia que profundamente nós somos uma realidade de “luz”, é uma realidade de várias linhas do pensamento psicológico dito transpessoal, a idéia de que temos uma “luz
Interna”

- E por que isso modifica um bocado a visão que temos da vida ? Porque se temos essa luz tão perto, o nosso grande esforço é fazer uma transformação de tal maneira, que possamos sintonizar com ela e, através dela conseguir de fato realizá-la mais profunda e inteiramente

- Quando estamos num momento de paz, de alegria, as coisas fluem mais fácil, mas quan
do estamos pessimista, meio pra baixo, parece que tudo trava, fica truncado e a vida come
ça a ficar mais difícil. Entretanto, quando estamos sintonizados com o Deus interno, pode
mos fluir através dessa energia



4 - VALOR

- Nós não temos valor somente através do nosso merecimento, mas principalmente por sermos filhos de Deus

- Estamos acostumados a sempre associar “Valor” com “Merecimento”. Isso traz baixa “alta estima”, “Auto recriminação”, culpa, desvalorização de nós mesmos

- Deus ama a todos os seus filhos independente de suas ações. Amar não significa dizer que nós estamos isentos da necessidade de correção

- Nós não estamos falando que temos que corrigir nossos equívocos, mas estamos falando
de “Valor”

- Se Deus nos ama, independente das nossas ações, pelo simples fato se sermos seus filhos,
significa dizer que nós , mesmo na nossa condição de aqui e agora, sem mudarmos nada, nós temos o amor de Deus

- Se eu corrijo as minhas ações, se me coloco numa postura de mais retidão, eu vou ter a minha vida mais feliz, vou ter mais saúde, mais leveza, mais abundância e plenitude

- Mas se eu não faço nada disso, vou ter a vida mais difícil, mas eu não perco, mesmo assim, o amor de Deus

- Mesmo que a nossa realidade não mude pelo simples fato do nos sentirmos amados, incondicionalmente, por Deus, isso nos dá força, nos dá a sensação que não somos ruins, e que de fato nós podemos transformar qualquer coisa, pois nós não estamos sozinhos

- Por isso, a Reforma Íntima deve ser sem Martírio, porque ela com certa exigência e alta
punição não chegaremos a lugar nenhum

- Quem passa do pressuposto de que é “ruim”, não pode mudar. Tem que partir do pressuposto de que somos humanos, falhos e imperfeitos, mas podemos reconhecer o
nosso valor, que é sermos filhos da “Luz”, por isso mesmo em condições de transformar
mos aquilo que desejamos, buscando ajuda e recursos para isso


5 - PERGUNTAS

5.1 - O que é a dor ? Há necessidade dela ?

- Se não houvesse a dor, a transformação seria muito difícil

- Se pudéssemos olhar a dor como oportunidade de aprendizado, e não como punição, se
eu me perguntar o que tenho que aprender com essa situação específica, o que a espiritua
lidade, o que Deus, o que a minha própria sabedoria interna deseja me ensinar com isso
que eu estou vivendo

-Se nós aprendermos a resignificar a dor e aprendermos com ela, não vamos precisar sofrer mais

- O grande problema é que a dor, que é um alarme,quando nós não a escutamos, e cada vez que a vivenciamos, a tendência é burlá-la, colocá-la em baixo do tapete, achando que assim resolve as coisas

- Eu tenho direito de expressar toda a minha dor, mas depois de expressá-la, posso resig
nificá-la e compreender o que ela quer me ensinar, pois se eu aprender com ela e se olhá-la
só como educador, eu não vou mais precisar passar por essa situação, então estarei mais livre para expressar minha “Luz”

5.2 - Como saber que nos sintonizamos com o nosso “SELF” e não com uma máscara que acreditamos ser e nos sentimos bem com ela ? O que prejudica a visão real de nós mesmos ?

- Muitos de nós não consegue se dar conta dos próprios sentimentos. Aprendemos a negá
los, vivendo muito mais racionalmente e reativamente do que sentindo e, por isso
perdemos a bússola

-Quando estou sintonizado com a “Luz”, sinto uma sensação de leveza, como se estivesse flutuando, uma sensação de alegria e bem estar, nos sinalizando que estamos próximo da
“Luz”

5.3 - Como aprender a ver e ouvir nosso imo, se temos dificuldade de nos afastarmos das conturbações do dia a dia para refazer caminhos e pensamentos?

-A Reforma Íntima tem que ser feita a cada minuto, em cada situação da vida e não à noite,não em 15 min, 1 hora

- A Reforma Íntima tem que ser um motor contínuo, temos que observar nossos pensa
mentos e sentimentos, os fatos externos o tempo todo. Temos que estar sintonizados e buscando nos entender e compreender, enfrentando-nos o tempo todo

- Não temos como fazer reforma Íntima vivendo igual a um trator de esteira

- O que obtemos com a Reforma Íntima é leveza, crescimento pessoal, e o mais importante, a nossa vida vai ficar mais leve

- Mesmo com o nosso trabalho, mesmo com a nossa família, mesmo com a nossa realidade, o que vai alterar é o nosso lado interno, pois nosso grande ganho não é fora,
não é material, é a nossa sensação interna de centramento e isso pode estar presente em qualquer lugar, mesmo que a minha vida esteja um inferno, eu posso estar centrado em
mim, ter algum nível de leveza dentro de mim
- Algumas pessoas perguntam : “Se eu não mudo, se eu não tenho o que mudar, e mesmo
assim eu sou acolhido e amado por Deus, se não faço as modificações que eu tenho que fazer, ou então se a vida pode ser um pouco mais leve, porque então vou fazer mudança”.
A resposta é porque, se eu quero ter uma vida mais leve e melhor, eu preciso me modificar

5.4 – Podemos arriscar a dizer que a reatividade às situações que nos irritam é um sinal que o “Falso Eu” assumiu nossas atitudes?

- Não só o “Falso Eu”, mas principalmente o nosso “Eu distorcido”, é só uma “casca, uma
ilusão, uma criação, não é de fato uma realidade interna, tanto é que de reencarnação em
reencarnação a pessoa muda de nome, de características e de formas

- O nosso conteúdo de reatividade mais difícil são essas nossas distorções, nossos defeitos nossos vícios, nossas imperfeições. Essa parte quando, prontamente, somos agredidos, imediatamente reagimos e assim mostramos como de fato somos

5.4 - A nossa “sombra” nós a conhecemos ou a negamos ?

- Ambas as coisas. Nós negamos com toda a força da nossa alma, e, porque aprendemos
desde cedo de que fazer coisa errada, ter raiva, ter sentimentos intensos é muito ruim, e, de
que, ao vivenciarmos isso, expressarmos essas características, nos tornamos muito ruim e
pior do que os outros, quando, na realidade, isso só expressa a nossa realidade humana
imperfeita e falha

- Por isso, desde novo, nós tememos a “estar errado”, e, “estar errado” é o mesmo que ser punido, do que nos perdermos, do que não ter amor. Então, assim, nós temos que “estar
certo” o tempo todo

- Entretanto, não podemos estar “certo sempre”, porque somos imperfeitos e entramos em
conflito e na culpa

- Nós passamos o melhor que temos para os nossos filhos, mas passamos o melhor “bichado”, o que é torto, por isso , desde novo, aprendemos a esconder com toda as nossas forças da alma, as nossas distorções

- Tem uns que fizeram ao contrário, se identificaram com as distorções e falaram o seguin
te : “Não vão me dar atenção, então agora eu serei a personificação da distorção. Quero ver se vocês não vão me dar atenção”

- Cada um pega um caminho diferente, mas na realidade tanto aquele que nega e tenta ser “bonzinho” para agradar os pais, como aquele que tenta se identificar com as distorções,
ainda, ambos, estão negando de fato a negatividade, pois até esse que é o “torto”, que se
identifica com esse lado, no fundo, não aceita ele mesmo

- Precisamos começar a olhar as nossas distorções como partes nossas que podem ser benvindas, igual ao filho pródigo. Nós temos que dar boas vindas as nossas distorções,
conviver com ela, olhar para ela, entrar em contato com o medo e o desespero de lidar com
ela, mas ter a certeza que não vamos estar só, desde que oremos, busquemos por ajuda

- Não temos como transformar a nós mesmos sem ajuda espiritual

- Toda vez que vocês forem olhar uma distorção e ficarem mal, peçam ajuda espiritual para ter esclarecimento

Um comentário:

  1. Estava precisando de ajuda e aqui com esse texto, achei aconchego para meu coração, obrigada.

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